No meu entender, um dos momentos nucleares da iniciação sociológica é o contacto dos principiantes com um conjunto de autores/textos «clássicos» da disciplina.
Esse contacto pode acontecer em diferentes ocasiões (i.e. «unidades curriculares») e ser realizado de várias maneiras (desde a leitura directa, passando pela leitura de manuais e comentadores e acabando na frequência de aulas expositivas).
Não é obrigatório ler um «clássico» para se sentir o seu ascendente.
Não basta faltar às aulas de «teorias sociológicas» para se ficar a salvo da sua influência.
Os «clássicos» estão por todo o lado, desvanecem e ressuscitam a cada instante, prestam-se à crítica para depois resistirem a ela.
Conhecem algum professor/investigador que diga clara e inequivocamente que os «clássicos» não servem para nada e que deviam ser banidos da disciplina?
Mesmo aqueles que dizem que «não vale a pena ler», não conseguem retirar aos «clássicos» o protagonismo que estes têm nas práticas pedagógicas e nas práticas de investigação.
Porque será?
O que têm os «clássicos» de tão especial?
Qual é o seu papel na iniciação dos sociólogos?
[continua]
Esse contacto pode acontecer em diferentes ocasiões (i.e. «unidades curriculares») e ser realizado de várias maneiras (desde a leitura directa, passando pela leitura de manuais e comentadores e acabando na frequência de aulas expositivas).
Não é obrigatório ler um «clássico» para se sentir o seu ascendente.
Não basta faltar às aulas de «teorias sociológicas» para se ficar a salvo da sua influência.
Os «clássicos» estão por todo o lado, desvanecem e ressuscitam a cada instante, prestam-se à crítica para depois resistirem a ela.
Conhecem algum professor/investigador que diga clara e inequivocamente que os «clássicos» não servem para nada e que deviam ser banidos da disciplina?
Mesmo aqueles que dizem que «não vale a pena ler», não conseguem retirar aos «clássicos» o protagonismo que estes têm nas práticas pedagógicas e nas práticas de investigação.
Porque será?
O que têm os «clássicos» de tão especial?
Qual é o seu papel na iniciação dos sociólogos?
[continua]
5 comentários:
os clássicos estão por todo o lado mesmo. Confesso que li pouco da obra dos clássicos. Não obstante, apesar daquela escassez de leitura, não percebendo bem como ou porquê, a verdade é que conheço, relativamente, bem os clássicos (pelo menos a obra «clássica» dos clássicos).
Meu caro amigo,
creio que, tal como as demais "religiões", a sociologia precisa requisitar e invocar seus "deuses" para subsistir.
Grandes comentários, os vossos.
Deixem-me acrescentar umas linhas.
Hugo: é esse sentimento de «conhecer bem» (mesmo quando se leu pouco) que me fascina na relação entre clássicos e principiantes...como é que nós podemos sentir que «conhecemos bem» textos/autores que nunca explorámos a sério?
É o mistério da ubiquidade dos clássicos!
Dauto: a analogia religiosa está sempre presente e, de resto, ajuda a compreender algumas coisas...não será o estatuto sagrado de alguns textos/autores que dificulta a sua leitura (já nem digo a sua leitura «crítica»)?
Alguém dizia que os clássicos não eram para ser lidos, mas sim para ser adorados!
Pois...
Não sei se se lembram dos nossos primeiros anos... eu escolhi certos autores cujo os comentários eram "ah, esse texto é difícil" e eu dizia "não acho".
A chave está em tratar a obra do clássico como a de um qualquer outro par. Nem que seja porque os clássicos, mais do que quaisquer outros, tiveram inquietações... de principiantes!
Se isso não resultar, Imaginem Durkheim ou Marx sentados na sanita - Ajuda-me sempre!
Beijinhos,
Ana Motta
Partilho as vossas inquietações em relação aos clássicos, principalmente, a estranha sensação de conhecimento relatada pelo Militão.
A analogia religiosa parece-me perfeita. Ou seja, os clássicos, que já se foram há muitos anos, por um lado, sujeitam-se a algumas críticas violentas e, por vezes, são usados para expiar alguns "pecados" cometidos por outrém. Por outro lado, os autores/textos clássicos transformaram-se nas «mais-valias salvíficas» dos trabalho científico.
PS: Ana aparece mais vezes... com intervenções dessas, a fasquía está para lá do topo...!
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