quarta-feira, 1 de julho de 2009

Da iniciação sociológica (6)

Qual é o papel dos «clássicos» na iniciação sociológica?


Assim como cada «clássico» se tornou um «clássico» por razões próprias (i.e. razões que encontramos apenas na sua respectiva trajectória de recepção), também cada «clássico» se presta a um uso específico na iniciação sociológica.

E isto acontece porque a atribuição de relevância pedagógica não coincide ponto por ponto com o reconhecimento de relevância disciplinar dos textos/autores «clássicos».

Nem todos os textos/autores «clássicos» aos quais se atribui elevada relevância disciplinar são necessariamente reconhecidos como muito relevantes para as práticas pedagógicas (já o contrário parece ser improvável, pois a atribuição de relevância disciplinar costuma andar de mãos dadas com o reconhecimento da «classicalidade»).

Por outras palavras, dificilmente um texto/autor conquista o estatuto de «clássico» (apenas) pelo reconhecimento da sua relevância pedagógica; mas esta última, se não constitui critério de «classicalidade», forma uma clivagem no interior do conjunto mais ou menos (in)estável dos textos/autores «clássicos».

Nos dois pólos de uma escala imaginária, teríamos:

De um lado, os «clássicos» bons para a iniciação dos sociólogos.

Do outro, os «clássicos» maus (ou menos bons) para a iniciação dos sociólogos.

(embora todos sejam importantes no âmbito disciplinar tout court)

Confuso?

Talvez o exemplo de Émile Durkheim nos ajude a perceber melhor o que se encontra aqui em discussão.

[continua]

1 comentário:

Luís Miguel Santos disse...

Esta tua escala amigo, relembra-me uma aula de doutoramento que assisti: o docente, AFC, afirmava, como já se disse neste espaço, que há textos/autores que valia a pena fazer o esforço de ler e outros, pelo contrário, o esforço era injustificado... Alguém teria feito, ou faria, esse esforço pelos principiantes... que queridos!!!