segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O estatuto dos comentadores e o desejo de originalidade (conclusão)

Entre outras razões, porque esta hipótese de Robert Alun Jones tem por trás de si muitos e muitos anos de investigação sobre Durkheim, o seu tempo e as suas influências.

Não é razoável pedir a um@ principiante que faça um trabalho deste nível (bem vistas as coisas, também não estou a ver muitas pessoas no nosso país que tenham condições institucionais para o fazer, mas isso levar-nos-ia para outra discussão...).

Contudo, é perfeitamente razoável que ele se deixe influenciar.

Encontrando em comentadores deste calibre a inspiração necessária para fazer a sua própria tese.

Será que a originalidade não é mais do que uma divergência criativa daqueles e daquelas a quem vamos buscar ideias?

(a propósito: não sei onde fui buscar a expressão «divergência criativa», mas sei que não é minha)

Falsa questão: se o diálogo com os comentadores for intelectualmente estimulante e enriquecedor, quem se importa de não inventar nada de novo?

É nestas alturas que me lembro de Tarde e me convenço de que ele tinha mesmo razão quando dizia que «as invenções são sempre sínteses de outras invenções».

E que nós, bem vistas as coisas, somos tod@s irmãos e irmãs de ideias, umas mais originais do que outras (se ainda quisermos ver o mundo desse ponto de vista), mas sempre ideias.

Longa vida a essa tertúlia espiritual, a esse «comunismo primitivo», que une Homens e Mulheres de todos os tempos e de todos os lugares, que nos faz acreditar numa ideia de humanidade em que cabem tod@s (clássicos, comentadores e principiantes).

Sem que nenhum@ se sinta mais cópia (ou mais modelo) do que @s outr@s.

3 comentários:

Dautarin da Costa disse...

Muito bem!!!

Hugo Militão disse...

Então e as desclarações anti-plágio?

Daniel Figueiredo disse...

La está: ou são para tod@s ou então não são para ninguém...