A edição de hoje do jornal Expresso traz um artigo sobre o negócio de compra e venda de teses de mestrado («Teses à venda na Net por 1500 euros», Primeiro Caderno, p. 14-15).
Ao longo de três ou quatro caixas de texto (e uma imagem deveras sugestiva), são-nos apresentados diversos testemunhos: não só de quem presta este tipo de serviços e de quem paga para ter a papinha toda feita, mas também de quem defende que «as instituições devem apostar na prevenção e apertar as regras», de quem garante que «do ponto de vista legal não há nenhuma norma que possa ser aplicada», de quem reconheceu «páginas inteiras» do seu trabalho numa defesa de tese (sim, o artigo também fala de plágio), de quem confessa «passar horas na internet» a tentar descobrir as fontes não-explícitas dos trabalhos académicos e de quem investiu milhares de euros em «software específico para apanhar estudantes que copiam».
Infelizmente, pouco ou nada é dito sobre as razões que levam alguém a recorrer a estes serviços ou a vender a sua mão-de-obra.
Duas profissionais falam das «dificuldades em encontrar emprego», depois de elas próprias se terem licenciado (mas será que isso basta para explicar uma opção deste tipo?).
Um aluno «confessa ter pago por um trabalho» porque a cadeira do último ano do curso «ameaçava ficar pendurada», quando o professor pediu um trabalho de grupo em que ele e os colegas não estavam «nada à vontade» (mas será que era só pressa de acabar o curso?).
Entre todos os lugares-comuns que nos habituámos a ouvir sobre estes assuntos (e que a jornalista do Expresso, com a preciosa ajuda dos seus entrevistados, se limitou a reproduzir no artigo que escreveu), salva-se a opinião do professor Jorge Ramos do Ó.
[continua]
Ao longo de três ou quatro caixas de texto (e uma imagem deveras sugestiva), são-nos apresentados diversos testemunhos: não só de quem presta este tipo de serviços e de quem paga para ter a papinha toda feita, mas também de quem defende que «as instituições devem apostar na prevenção e apertar as regras», de quem garante que «do ponto de vista legal não há nenhuma norma que possa ser aplicada», de quem reconheceu «páginas inteiras» do seu trabalho numa defesa de tese (sim, o artigo também fala de plágio), de quem confessa «passar horas na internet» a tentar descobrir as fontes não-explícitas dos trabalhos académicos e de quem investiu milhares de euros em «software específico para apanhar estudantes que copiam».
Infelizmente, pouco ou nada é dito sobre as razões que levam alguém a recorrer a estes serviços ou a vender a sua mão-de-obra.
Duas profissionais falam das «dificuldades em encontrar emprego», depois de elas próprias se terem licenciado (mas será que isso basta para explicar uma opção deste tipo?).
Um aluno «confessa ter pago por um trabalho» porque a cadeira do último ano do curso «ameaçava ficar pendurada», quando o professor pediu um trabalho de grupo em que ele e os colegas não estavam «nada à vontade» (mas será que era só pressa de acabar o curso?).
Entre todos os lugares-comuns que nos habituámos a ouvir sobre estes assuntos (e que a jornalista do Expresso, com a preciosa ajuda dos seus entrevistados, se limitou a reproduzir no artigo que escreveu), salva-se a opinião do professor Jorge Ramos do Ó.
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