sábado, 1 de agosto de 2009

Sobre o artigo do Expresso: «Teses à venda na Net por 1500 euros» (conclusão)

No entanto, o comentário de Jorge Ramos do Ó que aparece destacado na página 15 é ainda mais certeiro: «[O recurso à fraude] é o resultado de uma cultura de pouca exigência enraizada em Portugal, em que não se valoriza o processo de aprendizagem, mas apenas a obtenção do diploma».

Sem dúvida, senhor professor!

A fraude só pode constituir uma opção válida na cabeça de um@ alun@ quando el@ sente que não está a perder nada de especial em delegar o trabalho a terceiros.

E por que é que el@ sente que não está a perder nada de especial?

Porque as instituições de ensino superior, pressionadas pelo estrangulamento orçamental e pelas demandas empresariais, estão a esvaziar os currículos de tudo aquilo que era intelectualmente estimulante e exigente em nome da «profissionalização».

Os cursos deixam de cativar enquanto cursos.

A única gratificação possível é o diploma.

Pode alguém ser exigente consigo mesmo quando à sua volta todos (Estado, Universidades, Docentes, etc.) se demitem das suas responsabilidades?

É pena que a jornalista do Expresso não tenha explorado estas questões...teria sido um artigo bem melhor!

2 comentários:

Dautarin da Costa disse...

Grande JORGE...finalmente, o dedo na ferida.

Dautarin da Costa disse...

Afinal, quando não se promove a autonomia intelectual, qual é o direito de a exigir?