quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A história do caderninho (conclusão)



Orgulhoso e auto-suficiente como qualquer principiante que se preze, julguei que podia dar conta do recado sem ter necessidade de escrevinhar o que quer que fosse numa folha de papel.

Se é verdade que deu resultado durante uns tempos, logo que entrei em regime de escrita intensiva, não tive outra solução senão deitar mão a um caderninho que estava guardado na prateleira do esquecimento.

Limpei-lhe o pó, abri-o na última página onde tinha escrito e peguei na minha caneta preferida.

Comecei por desenhar esquemas minimalistas que ia actualizando à medida que o trabalho propriamente dito avançava.

Tinha conseguido fechar determinada página a respeito de determinado assunto?

Escrevia logo no caderno, em letras bonitas e espaçamento generoso, que sim, tinha conseguido.

Tratando-me a mim próprio como um adulto trata uma criança de 7 anos que cumpre os seus deveres, pude concluir o primeiro capítulo sem grandes dramas e no tempo previsto.

Hoje, passados 2 meses, é raro o dia em que não escrevo no caderno.

Mesmo que seja só para largar no papel as preocupações mais recorrentes sobre a tese.

Não é que tenha medo de me esquecer delas (elas não se esquecem).

E não é que o simples facto de as escrever ajude a resolvê-las (elas não se resolvem).

Mas lá que sabe tão bem deixá-las ali, em suspenso, em vez de andarem sempre atrás de nós, lá isso sabe.

Dá para adormecer a pensar em coisas boas e adiar, pelo menos por umas quantas horas, a inevitável hemorragia cerebral que teremos no dia seguinte!

1 comentário:

Luís Miguel Santos disse...

Amigo, que nunca deixes de ter e produzir "hemorragias cerebrais"