quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O discípulo



João José Trocado da Mata - Secretário de Estado da Educação do XVIII Governo Constitucional

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Dos bloqueios criativos


Não são propriamente momentos muito agradáveis, já se sabe, e já devíamos estar avisados para os seus efeitos, mas sempre que eles se lembram de nos fazer uma visita, mãos ao alto e rabo entre as pernas, é como se fosse cair o mundo inteiro na nossa cabeça, desespero total, pois claro, uma pessoa está ali sentadinha e quietinha, pacientemente à espera da inspiração, depois de algumas horas a fazer esboços e mais esboços e novamente esboços, levanta-se, coça o sobrolho, realiza a higiene nasal, surpreende-se com a ausência absoluta de flexibilidade corporal, devia fazer mais exercício, troca a ordem aos livros, troca a ordem aos apontamentos, manda tudo ao chão, volta a colocar tudo em cima da mesa, porcaria de mesa, os joelhos quase batem no tampo, não há condições, assim não dá, chamem outro, ninguém vem, solidão, intervalo nº XXXX, regresso ao trabalho, respirar fundo, respirar ainda mais fundo, buraco fundo, cair no buraco, perder a cabeça, dizer asneiras, campainha, procurar a cabeça, campainha, dizer asneiras, campainha, campainha, campainha, raios parta a campanhia ou lá como se escreve, por que é que ninguém vai abrir a porta lá em baixo?, alguém abre, barulho, agitação, cumprimentos, passou bem?, vai-se andando, e o senhor?, assim assim, toma cafezinho?, não, deixe estar, já tomei, o meu médico diz que nem devia tomar, olhe, para dizer verdade, o café aqui em casa também não é lá grande coisa, gargalhada, pausa, gargalhada, quer ver o moço?, quero sim senhor, suba suba, esteja à vontade, como em sua casa, o moço está lá em cima, sabe como é, esta coisa de fazer a tese dá cabo dele, anda sempre mal-encarado, não come decentemente, responde mal a toda a gente, queixa-se dos bloqueios, bloqueios?, sim, parece que sim, ele diz que sim, que lhe dói, muito, uma dor chata, persistente, vai e volta, sacana da dor, quer que o acompanhe até ao quarto dele? ora essa, já conheço bem o caminho...

E depois subiu as escadas.

sábado, 24 de outubro de 2009

Índice hilariantemente assustador

Ando eu a preparar a saída da «universidade», ou melhor, a preparar a entrada no «mercado de trabalho» ou no «mercado do desemprego»... Para tal, terei de efectuar alguns testes que me estão a obrigar a consultar alguma bibliografia.

Desta feita, peguei num livro de 1992 escrito por JFA e seus camaradas do costume, chamado: "Exclusão Social: factores e tipos de pobreza em Portugal". Bem sei que o título não augura nada de bom (quadros, percentagens, mapas etc.!!!), mas há que fazer um esforço... Abri o livro e olhei para o índice:

1. Pobreza e Desenvolvimento
2. Condições de Vulnerabilidades
3. Domínios de Vulnerabilidade
4. Categorias Sociais
5. Modos de Vida
6. Contextos e Actores
Anexos

Depois disto tive apenas uma inquietação e dois desejos:
Inquietação: Este livro foi escrito em laboratório por autores que deixaram à porta os seus quadros de referência!? Ou é apenas a minha pitosguice que não me permitiu detectar a bibliografia no índice!?
I. Desejo: fechar o livro e auto-flagelar-me por ainda cair nestas «patetices»!!!
II. Desejo: Devolver imediatamente o livre à biblioteca iscteana, não vá ele fazer falta a alguém mais interessado que eu!!! Ops, É sábado! a biblioteca está fechada!!!

Moral da história: nunca se deve começar por olhar para um livro pelo índice!!!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

«Gostas»?

Perguntam-me se «gosto» de fazer a tese.

[PÂNICO: gosto? não gosto? gosto mais ou menos? é preciso gostar? e se for só um bocadinho? e se já estiver farto? e se ainda assim continuar a gostar? pode-se estar farto e gostar ao mesmo tempo?]

Apesar de me encontrar em visíveis dificuldades, o meu estimado interlocutor não desarma à espera de uma resposta.

[PÂNICO: sou mesmo imbecil, já devia ter dito que sim, que gosto, agora ele vai ficar a achar que não gosto e que não tiro gozo nenhum daquilo que ando a fazer há vários meses, lindo serviço, já devia saber que a melhor resposta é a resposta a pronto, a coisa morre logo ali e a vida continua]

Entretanto, para disfarçar, pego num copo e encho-o com água.

[PÂNICO: «disfarçar»? tenho ainda menos jeito para disfarçar do que para responder a perguntas sobre o meu trabalho, «trabalho»?, ora bem, eis aqui uma bela escapatória, afinal de contas não conheço muita gente que diga que gosta de trabalhar, conheço quem não se importe, é verdade, mas gostar, isso não]

Quase me engasgo.

[PÂNICO: quase, quase, quase, é sempre a mesma cantiga, ainda ontem estava quase, quase, quase a gostar de fazer a tese, rever o primeiro capítulo pode ser muito frustrante, a pessoa sente que está quase, quase, quase a ficar como ela quer, mas como nunca passa do quase, quase, quase, a única coisa que consegue é ficar mesmo, mesmo, mesmo exausta]

Depois de notar que o meu estimado interlocutor está agora de braços cruzados, decido virar os olhos para a televisão.

- «Então, em que é que ficamos?»

- «Não gosto deste programa. Importas-te que mude de canal?»

Tarefa para os próximos 6 meses: acabar a tese antes que o próximo ataque de pânico dê cabo de mim!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Comendo a GLOBALIZAÇÃO

No outro dia comi a globalização (não, não é isso que estão para aí a pensar!)...comi uma manga importada que, para meu espanto, era tão doce que parecia ter sido colhida no exacto momento que lhe cravei os dentes.

O facto daquela manga manter aquela doçura ignorante das distâncias das oceanidades e continentidades, remete-me, imediatamente, para a seguinte questão: será a doçura daquela manga um reflexo de uma globalização que se adoça à medida que nos aproxima?

A resposta, muito provavelmente, deve encontrar-se na esquizofrénica relação que anima a dicotomia distância/proximidade, quando o assunto é globalização.

Por um lado, permite a partilha da doçura tropical com os que se encontram do lado de cá da linha – portanto, uma lógica de proximidade.

Por outro, o grosso do lucro material dessa partilha, não é partilhada com os que se encontram do lado de lá da linha – portanto, uma lógica de usurpação e de dominação económica.

Eis a doçura da globalização, que só se adoça nos domínios da exploração do exótico…


Saudações do lado dos “países primitivos atrasados” – portanto, do lado de lá.

sábado, 17 de outubro de 2009

Como explicar a tese em condições de máxima adversidade



Se já é difícil evitar equívocos quando tentamos explicar a alguém o que estamos a fazer, imaginem o que será ter essa conversa com alguém que ouviu falar da nossa tese por intermédio de outra pessoa.

Não preciso de dizer que está o caldo todo entornado, pois não?

Mas imaginem que a pessoa com quem estão a conversar é alguém que não vêem há muito tempo.

Não preciso de dizer que as perguntas mais complicadas costumam vir desta categoria de interlocutores, pois não?

Imaginem também que a outra pessoa - aquela que falou com a pessoa com quem estão a conversar - é a vossa Mãe.

Não preciso de dizer como é que as progenitoras costumam falar dos filhos, pois não?

Imaginem ainda que a pessoa com quem estão a conversar e a vossa Mãe estiveram juntas pela última vez quando vocês ainda estavam a explorar as primeiras pistas.

Não preciso de dizer que essa pessoa irá confrontar-vos com uma tese que nunca foi mais do que um esboço de um esboço de um esboço, pois não?

Agora imaginem que a pessoa com quem estão a conversar tem de apanhar um comboio dentro de 3 minutos.

Não preciso de dizer que não vai dar tempo para explicar o que quer que seja, pois não?

Lá terá de ficar para a próxima vez...e que a próxima vez seja para explicar uma tese que já foi defendida!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Apesar de todos os problemas ... valeu a pena frequentar as aulas de "sociologia da cidade e do território"? E a nota, ao menos, foi boa?

NÃAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAO!

Hoje, 15 de Outubro de 2009...

Entre outras tarefas, Hugo dirige-se ao iul a fim de saber se afinal concluiu ou não concluiu com sucesso a unidade curricular "sociologia da cidade e do território". Hugo fala com a funcionária do departamento de sociologia que o informa de que @ docente daquela cadeira não respondeu ao seu contacto.

Hugo decide falar pessoalmente com @ docente. Explica-lhe o sucedido. E pede-lhe que envie a sua classificação na u.c. "sociologia da cidade e do território" para o departamento e não para a secretaria (dado que para esta Hugo não existe). Só dessa forma, segundo Hugo apurou, o problema poderia ser solucionado entre departamento de sociologia e secretaria do iul.

No meio de afirmações tais como «compreendo perfeitamente a sua indignação», «tem toda a razão», «a secretaria não funciona convenientemente», @ docente afirma, no entanto, que só satisfará o pedido de Hugo se o departamento de sociologia solicitar o mesmo pedido. Conclusão: «tens toda a razão, mas eu não tenho nada a ver com isso... desenrasca-te!".

Hugo regressa ao departamento de sociologia e pede à funcionária para enviar um comunicado @ docente a solicitar o envio da classificação de Hugo na famosa unidade curricular.

A funcionária envia o comunicado... Hugo pensa «será desta?»

Esperemos que sim.

7 de Outubro de 2009...

Hugo prepara-se para dar início à sua vida no mercado de trabalho. Como tal, dirige-se à secretaria do iul a fim de solicitar (e pagar) o seu certificado de habilitações de modo a provar que é pós-graduado.

No entanto, Hugo é confrontado com a seguinte afirmação de uma funcionária do iul: «você não concluiu a unidade curricular "sociologia da cidade e do território", frequentada por si durante o ano lectivo 2007/2008. Como tal, não lhe posso entregar o certificado por si solicitado».

Hugo pronuncia interiormente um impropério muito feio ... aquele que começa por «f».

Hugo aguenta-se de forma a não insultar ninguém. E pede explicações à funcionária. A funcionária aconselha Hugo a dirigir-se ao departamento de sociologia.

Hugo dirige-se ao departamento de sociologia. Explica o sucedido a uma funcionária daquele departamento que se compromete a ajudar contactando @ docente da unidade curricular "sociologia da cidade e do território". Hugo vai para casa desconsolado.

Ainda algures em Setembro de 2008...

Hugo coloca @ docente da unidade curricular "sociologia da cidade e do território" ao corrente do sucedido.

Hugo recebe d@ docente o seguinte feedback: «a cadeira "sociologia da cidade e do território" pertence ao primeiro ciclo de estudos (licenciatura) de sociologia. Você é mestrando. Deve ser esta a origem do problema. Mas não se preocupe, vou reenviar a sua nota para a secretaria e o problema ficará resolvido».

Foi então que Hugo pensou: «se esta é a origem do problema, por quê obrigar os alunos do mestrado em sociologia a frequentar cadeiras que pertencem ao primeiro ciclo de estudos? ... sou obrigado a fazer disciplinas com as quais não me identifico e, como se não bastasse, ainda levo com problemas burocráticos em cima».

Ainda assim, Hugo deixa-se levar pela suposta solução do problema efectuada pel@ docente.

«Problema resolvido» (pensou Hugo).

Algures em Setembro de 2008...

Hugo desloca-se à secretaria do ainda denominado iscte para se inscrever no segundo ano do mestrado em sociologia daquele instituto universitário.

Em simultâneo, aproveita para perguntar à funcionária do balcão "pós-graduações" se as suas notas (respeitantes ao primeiro ano do mestrado) haviam sido todas lançadas na secretaria... só para ficar tranquilo. A funcionária fixa o historial académico (que expressão tão enigmática) de Hugo e repara que este «não concluiu» a unidade curricular "sociologia da cidade e do território".

Na verdade, dois meses antes, Hugo certificara-se que tivera concluído com sucesso aquela unidade curricular: recebera a nota enviada pel@ própri@ docente via e-mail.

Conclusão: Hugo foi avaliado positivamente pel@ docente mas, segundo a secretaria do iscte, Hugo não concluiu com sucesso a unidade curricular "sociologia da cidade e do território".

Foi então que Hugo pensou: «ora bolas, acho que tenho um problema entre mãos!»

Algures em Julho de 2008...

Hugo, aluno do primeiro ano do mestrado em sociologia, conclui com sucesso (salvo seja) a unidade curricular "sociologia da cidade e do território"...

... «menos uma» (pensava ele).

p.s. para o Daniel: espero que não fiques indignado por "Hugo" estar a plagiar a metodologia metafórica de "C".

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Na biblioteca do ISCTE-IUL (conclusão)

Desorganização, desinvestimento e transferência de custos para @s alun@s: bem vind@s à biblioteca da Fundação ISCTE-IUL.

Desorganização: ninguém sabe exactamente quais são as revistas científicas disponíveis para consulta nem os respectivos períodos de subscrição (a simpatia d@s funcionári@s de nada serve quando os catálogos prestam informações erradas).

Desinvestimento: existem fortes indícios de que @s responsáveis da biblioteca têm vindo a cortar nas assinaturas de publicações periódicas ou a adiar a renovação das mesmas (para onde é que foi o nosso dinheiro? e as famosas «receitas próprias» da Fundação? será que só servem para embelezar o corredor da reitoria?).

Transferência de custos para @s alun@s: queres conhecimento? paga!

Nem preciso de dizer onde é que C. se dirigiu para satisfazer o seu excêntrico apetite por revistas «desconhecidas» como a American Sociological Review e o American Journal of Sociology.

Basta dizer que levou apenas alguns minutos e não teve de pagar nenhuma «taxa».

Pois...

sábado, 10 de outubro de 2009

Na biblioteca do ISCTE-IUL (4)

Então é assim:

Custos para os «utilizadores internos»: «dependerá do valor que for cobrado pela entidade à qual for solicitado o empréstimo».

Trocando por miúdos: o ISCTE-IUL só nos cobra aquilo que a(s) outra(s) entidade(s) lhe cobrar(em) pelo serviço.

Parece razoável, não parece?

(fazendo fé, claro está, na razoabilidade dos outros)

Vejam agora os custos para «outras instituições» no «envio de artigos em formato digital»:

«5,00 €»

Cinco euros para enviarem um artigo por e-mail!?

Mas calma aí.

Parece que há um asterisco: «salvo nas situações em que existe reciprocidade de tratamento dos pedidos formulados pelo ISCTE-IUL, não havendo lugar ao pagamento de taxas de empréstimo».

«Reciprocidade de tratamento» - que linda expressão.

Isso quer dizer que existe a hipótese de não pagar nada?

A frase parece dizer justamente o contrário: se todas as bibliotecas tratarem a biblioteca do ISCTE-IUL da forma como esta as trata (i.e. cobrando cinco euros pelo envio de artigos em formato digital), como é que não haverá lugar ao pagamento de «taxas de empréstimo»?

[continua]

Na biblioteca do ISCTE (3)

No balcão principal da biblioteca do ISCTE-IUL, C. confirma junto de uma funcionária que é possível utilizar o serviço de empréstimo inter-bibliotecas para artigos.

«Fixe» - pensa C, na perspectiva de obter os artigos que tanto queria.

Mostrando-se interessad@ em utilizar esse serviço, C. é convidad@ a fazer o pedido por e-mail.

«É mais fácil do que preencher o formulário aqui ao balcão, não é?» - diz a funcionária, estendendo-lhe um folheto com as condições do serviço (onde se incluiam os custos).

«Custos? Quais custos!?» - pergunta C, sem conseguir imaginar que tipo de custos podem estar associados ao envio de artigos em formato digital.

«Sim, custos» - responde a funcionária, acrescentando imediatamente a seguir: «quando enviar o e-mail ao meu colega irá perceber».

Um pouco atordoad@ com aquela resposta, C. agradece à funcionária e dirige-se para a saída.

«Custos? Quais custos!?» - pensa C., ainda incrédul@.

[continua]

Na biblioteca do ISCTE-IUL (2)

C. vira-se então para o artigo do American Journal of Sociology que pretendia consultar.

Embora já um pouco escaldad@ pelo que sucedera, C. acredita que o problema não se iria repetir outra vez.

Porém, foi exactamente o mesmo que aconteceu.

No catálogo de revistas assinadas pelo ISCTE aparece o título da publicação e o período de subscrição institucional que, como podem verificar, abrange todos os números do American Journal of Sociology compreendidos entre 1895 e 2000.

Quando se tenta aceder a um artigo, nada, népia, nem pensar, isso querias tu.

«Mas será que tá tudo doido ou fui eu que enlouqueci ao pensar que poderia aceder a estas revistas no ISCTE?» - pergunta C. a si mesm@.

Aproveitando a presença de um funcionário por aquelas bandas, decide pedir ajuda.

O funcionário - extremamente prestável, diga-se - demora-se uns minutos entre o seu computador de serviço e o terminal público onde estava C.

Conclusão: não é possível aceder aos números pretendidos das revistas pretendidas.

«Então por que é que o catálogo diz o contrário?» - pergunta C.

«Provavelmente porque a lista está desactualizada» - responde o funcionário.

«Desactualizada!?» - replica C.

«Sim, o ISCTE pode ter decido não renovar a subscrição de algumas publicações periódicas» - responde o funcionário, acrescentando logo de seguida: «mas não se preocupe...sabia que é possível utilizar o serviço de empréstimo inter-bibliotecas para artigos?»

Desolad@ por não ter conseguido descarregar nenhum dos artigos que queria, C. agradece a dica do funcionário e dirige-se ao balcão principal para obter mais informações.

[continua]

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Na biblioteca do ISCTE-IUL

C. está a fazer pesquisa bibliográfica para a tese.

C. dirige-se à biblioteca do ISCTE-IUL para consultar artigos nas duas revistas sociológicas mais citadas a nível mundial: a revista da Associação Americana de Sociologia (American Sociological Review) e a primeira revista sociológica dos EUA (American Journal of Sociology).

Mal entra na biblioteca, C. depara-se com computadores fora de serviço.

«Estamos sem rede desde que abrimos e não sabemos quando é que o problema vai ficar resolvido» - diz uma funcionária extremamente prestável.

Ao subir as escadas rumo ao segundo andar, C. descobre que afinal não está assim com tanto azar: alguns computadores estão a funcionar.

C. dá-se por muito satisfeit@ e senta-se para iniciar o seu trabalho.

O computador demora 2 minutos a passar de uma página para a outra.

C. respira fundo e continua a insistir.

Quando finalmente chega à página da editora, C. fica estupefact@: ao contrário do que dizia o catálogo de revistas assinadas pelo ISCTE-IUL, não é possível aceder online aos números da American Sociological Review anteriores a 1976 (o artigo pretendido era de um número referente ao ano de 1973)

Convencid@ que só podia tratar-se de um engano, C. tenta aceder à revista pela B-on.

Mas, no momento de aceder ao dito cujo artigo, depara-se novamente com uma nega do sistema.

C. respira fundo e, alguns instantes depois, lembra-se que existe outra via para aceder ao artigo: a biblioteca do ICS.

«Não há crise; vou lá daqui a bocado» - pensa C.

[continua]

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Socorro! O ISCTE-IUL não me larga (2)

Não se pense que esta «perseguição» é exclusivamente operada pelos serviços do instituto. Até a associação de estudantes decidiu alinhar na brincadeira.

Um convite duplo para uma gala do iscte? Porquê? Eu não pedi nada. Nem sequer sou sócio da associação. Nem gosto de festas.

Conseguirei, algum dia, livrar-me do iscte-iul? Eu cumpro a minha parte da separação ... mas ele não me larga!

Socorro! O ISCTE-IUL não me larga

Alguém conhece uma estratégia para impedir a recepção de e-mails provenientes do iscte-iul?

É impressionante! Todos os dias úteis recebo na minha caixa de correio electrónico duas ou três mensagens do instituto. Biblioteca, Departamento de Sociologia, Departamento de Economia, ...

Sinceramente, para quem vai ao iscte-iul duas a três vezes por mês, isto torna-se um bocado aborrecido.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A história do caderninho (3)

Concluídas as duas últimas cadeiras do mestrado, inicia-se uma nova fase na vida do caderno.


É a fase da amálgama, onde se misturam referências bibliográficas, citações de livros, informações práticas do dia-a-dia e o conjunto de notas que esteve na origem da série de posts «as aventuras de AFC, o anti-academicista».

Um autêntico pau para toda a obra que, ainda assim, passava mais dias fechado do que aberto.

Alienado da sua vocação primordial, não levaria muito tempo a ser esquecido.

Contudo, quando já nada o faria adivinhar, foi resgatado do abandono.

[continua]

A história do caderninho (2)

Até há bem pouco tempo, aquele caderno era um caderno igual aos outros.

Não tinha nada que o distinguisse ou que fizesse supor que poderia vir a ter um destino diferente dos demais.

Impressão que é reforçada quando lêmos a primeira página.

«MESTRADO EM SOCIOLOGIA 2º ANO/1º SEMESTRE»

Pelo título, adivinha-se facilmente o contexto de aquisição do caderno e a função que ele iria cumprir.

Com efeito, se folhearmos as páginas seguintes, encontramos uns quantos apontamentos avulsos respeitantes ao último semestre curricular do mestrado.

Coisa pouca, diga-se, até porque a vontade já não era muita...

[continua]

A história do caderninho (introdução)

Não vos conto nenhuma novidade se disser que fazer uma tese é uma experiência que tem tanto de gratificante quanto de desgastante.

O mês de Setembro na inquietação do principiante foi prolífico em exemplos.

Exemplos de uma experiência quase equizofrénica e da impotência que sempre a acompanha.

Por que é que não conseguimos manter uma relação constante com o nosso trabalho?

A sensação que tenho é que estamos condenados a viver esta inconstância pelo menos até ao dia da defesa da tese.

Até lá, contentamo-nos com paliativos.

Alguns de longa data, velhos conhecidos que nos habituámos a usar nos momentos de maior tensão.

Outros mais recentes, novos engenhos que fomos aperfeiçoando já durante o processo de investigação e escrita para a tese.

No próximo post vou contar-vos a história do meu paliativo preferido: o caderninho da tese.

[continua]

sábado, 3 de outubro de 2009

Da hysteresis temática

A ideia segundo a qual as teses devem ter um tema sempre me pareceu bizarra.

Durante um certo tempo, perguntei-me se não seria apenas mais uma estratégia para não falar da tese fingindo estar a falar dela.

Mas, ao fim de alguma pesquisa de terreno, dei-me conta que estava profundamente equivocado.

Não só muita gente acredita estar a falar da sua tese quando fala do tema da sua tese, como também há quem não consiga falar de outra coisa senão do tema da sua tese.

Como devem imaginar, essa compulsão arruína qualquer conversa saudável entre principiantes.

Qualquer deixa é uma oportunidade para (continuar a) falar do tema e para não (continuar a) falar de meteorologia («vai chover este domingo?»), do Paulo Bento («quando é que o despedem?») ou das eleições autárquicas («será que o Santana vai ganhar em Lisboa?»).

Resultado: milhares de embalagens congeladas à espera que alguém decida investigar algo mais do que os respectivos rótulos.

Será que ainda vamos a tempo de salvar as nossas teses desta hysteresis temática?

Espero que sim.

Até porque - aqui entre nós - já estou a ficar farto do tema...