quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Inquietação de Ano Novo

Já dizia o grande (quer dizer, «barrigudo») LC: quando o homem não faz a tese...a tese faz o homem!

Façam a tese, façam-se homens ou, ainda melhor, ambas!

Seja como for, em 2009, cá estaremos para partilhar as nossas inquietações de principiante...

Até já, amigos.

Fernandinho e as intermitências da crença (conclusão)

FLM congratula-se e irrita-se com as intermitências da sua crença: o «declínio» inevitável da «cultura de dissociação entre ciência e profissão» não é assim tão inevitável, ou é o próprio FLM que não está a desempenhar o seu papel como devia?

Congratula-se porque o «número de comunicações de extra-universitários» continua a aumentar.

Irrita-se porque isso também quer dizer que continua a «haver muitos» que não participam.

Congratula-se porque «tudo indica» que a «cultura de dissociação continua em declínio».

Irrita-se porque isso não impede que continue a utilizar-se a «palavra "profissionais" por oposição a "universitários" ou "investigadores"».

Congratula-se pela sua crença.

Irrita-se por não encontrar a prova irrefutável.

Regressa ao ponto de partida...e nós continuamos com muitas dúvidas!

Fernandinho e as intermitências da crença (uma odisseia em dez actos)

(Páginas 89, 90 e 91)

Acto I: FLM congratula-se com o número crescente de comunicações da autoria de sociólogos «extra-universitários» nos encontros patrocinados pela APS.

Acto II: FLM lamenta continuar a «haver muitos» sociólogos «extra-universitários» que «nunca ou raramente passam ao papel a sua experiência e os resultados do seu trabalho» e, para além destes, outros que consideram que a sua actividade profissional «nada tem a ver com a sociologia».

Acto III: FLM enuncia os «efeitos bloqueadores» daquilo que ele designa por «identidade profissional negativa».

Acto IV: FLM apresenta dois «casos» (bizarros?): sociólogos que trabalham em autarquias e sociólogos que leccionam a disciplina de sociologia no ensino secundário, mas que, apesar de fazerem sociologia a toda a hora (sem o suspeitarem!), acham que o que fazem «não é fazer sociologia».

Acto V: FLM aponta estes «casos» como os «melhores intérpretes» da «cultura de dissociação entre ciência e profissão» (citando AFC, para ninguém pensar que ele o estivesse a plagiar!).

Acto VI: FLM junta-se a AFC na crença nº 2 («hoje tudo indica que essa cultura de dissociação continua em declínio, tanto nos meios universitários como nos extra-universitários, apesar de, no caso dos primeiros, continuar a utilizar-se com alguma frequência a palavra "profissionais" por oposição a "universitários" ou "investigadores"»).

Acto VII: FLM tenta perceber porque é que continua a existir (apesar de, segundo ele, continuar em declínio!) um «segmento» de sociólogos «extra-universitários» que rejeita a identidade profissional «sociólogo» e que não participa nos eventos associativos.

Acto VIII: FLM chega à conclusão (embora a «problemática» mereça, «em si própria», uma «análise mais aprofundada») que a «identidade profissional negativa» é um «efeito tendencial de geração» (!?).

Acto IX: FLM tenta explicar a crença («de facto, muitos sociólogos mais jovens, num só ou nos dois critérios apontados, [idade e ano de formação] e inseridos em contextos profissionais semelhantes àqueles em que se situam alguns dos seus colegas mais antigos e mais cépticos, revelam uma atitude oposta, tanto em termos de identidade profissional como em termos cognitivos»).

Acto X: FLM tenta provar a crença («indicadores externos disso são quer o índice comparativamente muito mais elevado de filiação associativa, como a prática mais frequente de apresentação de comunicações nos congressos e outras reuniões científicas»).

.
..
...
....
.....

FLM regressa ao Acto I!

Confuso?

Fiquem para ver: «Fernandinho e as intermitências da crença»!

Fernandinho e as intermitências da crença (prólogo)

Já todos percebemos (digamos que é a minha hipótese...) que AFC é um obstinado de primeira com as suas crenças (perdão, hipóteses altamente verosímeis) e que nada nem ninguém conseguirá alterar os seus palpites e apostas no debate da profissionalização (tendo que mudar, mudam-se as estratégias, não as bizarrias e muito menos as profecias!).

Hoje apercebi-me, por via da confusão em que se mete FLM quando a ele se tentava aliar no debate, que AFC é ainda mais obstinado do que eu próprio acreditava (perdão, daquilo que as minhas modestas hipóteses permitiam supor).

O texto é este.

Fiquem para ver: «Fernandinho e as intermitências da crença»!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Descubra as diferenças: parte III

Brevemente...
Está na moda recorrer ao Brevemente.
Sois jovens. Tendes tempo!

Descubra as diferenças: parte II





Programa da UC: "Desigualdades Sociais Contemporâneas" (1º ano do mestrado em sociologia)


Primeiro dia de aulas do 2º semestre do ano lectivo 2007-2008. Frequentávamos o 1º ano do mestrado em sociologia no ISCTE. Hugo, Daniel e Luís chegam, com um ar desconfiado, à aula de FLM. Dautarin - não estando, fisicamente, presente - está a par de tudo, e partilha a desconfiança.
Antes da aula, Hugo, Daniel e Luís analisam o programa da UC "Sociologia das Desigualdades Sociais Contemporâneas", que haviam frequentado no 2º ano da respectiva licenciatura (ver post anterior).
Nesse dia, preparavam-se para frequentar, pela primeira vez, a UC "Desigualdades Sociais Contemporâneas", referente... atenção... ao 1º ano do mestrado em sociologia no ISCTE.
Ora, se mestrado é diferente de licenciatura, e se "Desigualdades Sociais Contemporâneas" é igual a "Sociologia das Desigualdades Sociais Contemporâneas", então, podemos ter um problema...daí a nossa desconfiança.
Mas não levantámos qualquer entrave sem, antes, efectivarmos contacto com o programa da UC "Desigualdades Sociais Contemporâneas".
Entrámos vermelhos na aula, ansiosos por ver aquele programa. Finalmente, temos o programa nas mãos. Deitámos as mãos à cabeça...

Descubra as diferenças: parte I






Programa da UC:
"Sociologia das Desigualdades Sociais Contemporâneas" (2º ano da licenciatura em sociologia)

A pedido de muitas famílias, tenho o (des)prazer de anunciar um dos episódios mais marcantes na nossa estada iscteriana.
Decorria o ano lectivo 2005-2006, frequentávamos... nós ... o 2º ano da licenciatura em sociologia no ISCTE.
Nesse mesmo ano - mais concretamente, no 2º semestre - fazia parte do programa curricular da licenciatura uma cadeira - perdão, Unidade Curricular (reparem no pormenor das maiúsculas) - apelidada de "Sociologia das Desigualdades Sociais Contemporâneas" (ver imagens).
Qual é o problema? Perguntam voçês.
Vejam o próximo post...respondo eu.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

as aventuras de AFC, o «anti-academicista» (acto IV: palpites e apostas)

Meus amigos, tenho o prazer de anunciar os «quatro princípios fundamentais» do código deontológico da APS (segundo o sociólogo AFC):

1) princípio da «responsabilidade»
2) princípio da «competência»
3) princípio da «autonomia»

e (last but not least)

4) princípio da «auto-adesão»

«auto-adesão»!?

AFC explica: «o código deontológico só terá eficácia se os sociólogos a ele aderirem através de processos de debate alargado e aprofundamento reflexivo (...)».

Por outras palavras: o código deontológico só pode funcionar como referente normativo da prática profissional dos licenciados em sociologia, na condição de estes se vincularem a ele, o mesmo é dizer, na condição de assumirem para si e para os outros a pertença a uma comunidade científico-profissional: a sociologia portuguesa.

Deixa-me cá ver se eu percebi bem: se este princípio não for respeitado, nenhum outro poderá sê-lo, não é isso?

A perspectiva (meramente hipotética...ou talvez não!) do código deontológico passar directamente do palco do II Congresso Português de Sociologia (1992) para o arquivo histórico da APS teria deixado qualquer um dos seus entusiastas de semblante bastante carregado (no mínimo!).

Perguntam vocês: e porque é que o Sr. Simpatia não se deixou abater por esse cenário verdadeiramente apocalíptico?

É tudo uma questão de palpites e de apostas (e de uma boa dose de auto-confiança!):

Em 1992, AFC acreditava cegamente (sem ofensa aos cegos) na progressão imparável da «cultura profissional associativa» e, por ter em boa conta as suas próprias crenças (perdão, hipóteses altamente verosímeis), decidiu apostar que ela se tornaria, mais cedo ou mais tarde (de preferência o mais cedo possível), o modelo cultural dominante entre os licenciados em sociologia do nosso país.

A eficácia do código deontológico depende da adesão dos licenciados em sociologia, que depende do crescimento da cultura de associação entre ciência e profissão, que depende do 6º sentido do sociólogo AFC.

Logo, a eficácia do código deontológico depende de AFC.

Ufa! Estamos salvos!

domingo, 28 de dezembro de 2008

A institucionalização, borocrática, da inutilidade...

Foi dado a conhecer, na semana de Natal, aos alunos do departamento de sociologia do iscte, um documento que pode servir de capa para os trabalhos, que inclui, para àlem das indentificações, habituais, de docente, discente (e não aluno como está no documento), da disciplína (perdão, unidade curricular. Às vezes a unidade é tanta que os programas são plagiados...mas isso fica para depois), existe uma, «inovadora» declaração, na qual, o aluno, declara solenemente que aquele trabalho está impoluto, ou seja, sem qualquer tipo de plágio.

O combate ao plágio merece, sem qualquer dúvida, todo o meu apoio...tenho é alguma desconfiança sobre a eficácia deste documento e, por isso, deixo aqui algumas questões:
1.Até aqui o plágio era permitido?
2.Será que este documento acompanhará todos os «trabalhos cientificos» realizados nos centros de investigação que estão na órbita do iscte?
3.Os programas das unidades curriculares terão esta capa uniforme? (se sim, proponho uma excepção para as uc de FLM)
4.Quais as consequências para quem não apresentar nos seus trabalhos essa declaração? (serão coimas, porque excluir clientes está fora de causa!!!)

Assim, tenho de expressar o meu mais sincero e profundo agradecimento aos senhores conselheiros do Conselho Científico do iscte, por me terem formecido, a esta distância, a capa para a minha tese (perdão, dissertação de mestrado!!!), pese embora me falte o título e orientador(a)...já só faltam 39 páginas

Djone: um novo conceito sociológico

Hoje, finalmente, djone, um novo conceito sociológico. Aprendi-o com adolescentes, das periferias lisboetas, habituados a ler e a viver o mundo do "outro lado da linha". Na verdade, djone, extravassa os domínios convencionais de um conceito, não se limita a ajudar na explicação de (des)encontros sociais, é, fundamentalmente, um indicador de integridade. Algo djonero é algo impregnado de ilusionismos, de superficialidades travestidas de profundidades.

Este conceito tem um espaço de expressão na denúncia de sociologias djoneiras, aquelas que são subsidiárias de uma espécie de complexo de inferioridade ante às ciências naturais. Aquelas que, de forma exclusiva, especializam seus aprendizes em leituras de gráficos e tabelas, em especialidades de tudo e de nada, para que não se deslegitimizem perante comunidades científicas (djoneiras?!) operadoras de venda nos supermercados de numerologias sociológicas.
É no desejo de beber dos poços das curiosidades e das descobertas, que brota o anti-djonismo...uma premissa de luta contra as djonices dos djoneros das sociologias fastfoodianas.
É com prazer que entro na luta...
Saudações anti-utilitaristas

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

as aventuras de AFC, o «anti-academicista» (acto III: estratégias)

Não, AFC não perdeu a fé na sua agenda hagiográfica.

Mudou de estratégia!

Enquanto, em 1988, os vários tipos de infiéis eram todos atirados para o mesmo saco (a «cultura de dissociação»), em 2004, eles estão distribuídos numa moderna tipologia de perfis profissionais.

Curiosamente, AFC equipara o ideal hagiográfico ao «perfil integrador», mas não se revela particularmente duro em relação aos perfis «rotinizado» e «desistente» (e, no entanto, teria mais do que razões para sê-lo, dado que nenhum destes dois, no seu entender, realiza o ideal da «cultura associativa»...antes pelo contrário!).

Os «rotinizados» e os «desistentes» são, quanto muito, vítimas deles próprios ou, então, vítimas dos verdadeiros bandidos: os «academicistas»!

Comparando a descrição específica do «perfil academicista» (texto de 2004) com a descrição geral da «cultura profissional dissociativa» (texto de 1988), chegamos à conclusão que o destinatário principal (exclusivo?) das suas críticas, tem sido, desde a primeira vez que abordou o tema, sempre o mesmo: o «sociólogo-academicista».

Crença nº 3: os «sociólogos-academicistas» personificam o ideal da «cultura de dissociação» e, portanto, é expectável (desejável?) que a sua dispersão acabe por retirar toda a popularidade à ideia de que «quem faz...não exerce» e que «quem exerce...não faz»

Incapaz de imaginar e/ou de conferir importância a outros pontos de ruptura entre ciência e profissão (ex: a «desistência» e a «rotinização» dos licenciados em sociologia) AFC torna-se incapaz de imaginar e/ou de conferir importância a outros obstáculos que não aqueles que já conhecia e que se sentia capaz de superar (ex: o «estado de graça epistemológico» dos «academicistas»).

É caso para dizer que nunca ninguém esteve tão perto de ganhar a batalha e, ao mesmo tempo, de perder a guerra...

Fiquem para ver: as aventuras de AFC, o «anti-academicista»!

as aventuras de AFC, o «anti-academicista» (acto II: profecias)

Crença nº 2: a «cultura profissional associativa» tem estado a conquistar terreno à «cultura de dissociação entre ciência e profissão» desde os finais dos anos 80 e, por essa razão, é expectável (desejável?) que se venha a tornar a normatividade dominante na comunidade sociológica portuguesa

Evidência empírica? Nenhuma!

E mais um sintoma de jogo duplo: AFC não perde uma oportunidade de criticar os inimigos imaginários da ciência, alegando que as suas ideias/crenças não têm «validade empírica» (quantas vezes não nos foi endossado este presentinho?); quando se trata de impor a sua agenda hagiográfica sobre a profissionalização dos sociólogos, viola as regras que ele próprio faz questão de defender (sacralizar!) o resto do tempo...

Para umas coisas, a evidência é imprescindível; para outras, é descartável!

AFC acreditava, em 1988, que a realidade acabaria, mais tarde ou mais cedo, por lhe dar razão (decidiu antecipar-se à prova empírica para poupar tempo...).

Escusado será dizer que as suas profecias continuam por realizar.

E ele é o primeiro a admito-lo, quando reconhece (lamenta!), em 2004, uma «grande diversidade» nas «modalidades de cultura profissional», «umas mais próximas da cultura de associação entre ciência e profissão, outras da cultura de dissociação».

Será que AFC se rendeu ao mesmo derrotismo que tantas vezes identifica nos seus opositores?

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

as aventuras de AFC, o «anti-academicista» (acto I: bizarrias)

Crença nº 1: quem faz sociologia exerce sempre e necessariamente uma profissão e quem exerce uma profissão faz sempre e necessariamente sociologia

Esta crença é um efeito secundário da própria lógica argumentativa de AFC: quanto mais ele crítica a crença de que «quem faz...não exerce» e de que «quem exerce...não faz» (a variante cabeçuda do modelo dissociativo), mais ele é levado voluntária ou involuntariamente (aceitam-se apostas!) a defender a crença oposta («faço, logo exerço» e «exerço, logo faço»), que não é mais do que a variante cabeçuda da cultura profissional associativa.

AFC refere-se ao objecto da sua crítica como uma «ideia bizarra» que «não resiste a um mínimo de análise sociológica» e que constitui um «traço cultural inibidor de uma maior afirmação e de uma melhor prática da sociologia como ciência e profissão».

Mas será que não podemos dizer o mesmo a respeito da sua crença?

Não é igualmente «bizarro» achar que todos os modos de relação dos licenciados em sociologia com os saberes-fazeres sociológicos têm sempre e necessariamente um enquadramento profissional?

Ou que todas as situações laborais dos licenciados em sociologia favorecem sempre e necessariamente a mobilização dos saberes-fazeres sociológicos?

Quando me mandam areia para os olhos, não há nada melhor do que pedir emprestada, ao meu amigo Almeida Santos, uma das suas analogias-lubrificantes (a nossa «única salvação nas trevas», como dizia Gabriel Tarde):

Se é verdade que todos os motoristas têm carta de condução, nem todos os titulares do documento podem ser considerados motoristas...antes pelo contrário!

as aventuras de AFC, o «anti-academicista» (prólogo)

Duas crenças animam o debate da profissionalização (chamemos-lhe assim, por ora) dos «sociólogos» (licenciados em sociologia, para ser verdadeiramente rigoroso e justo) no nosso país:

1) a crença de que quem faz sociologia exerce sempre e necessariamente uma profissão e de que quem exerce uma profissão faz sempre e necessariamente sociologia;

2) a crença de que a «cultura profissional associativa» tem estado a conquistar terreno à «cultura de dissociação entre ciência e profissão» desde os finais dos anos 80 e que, por essa razão, é expectável (desejável?) que se venha a tornar a normatividade dominante na comunidade sociológica portuguesa.

Adivinhem quem é o protagonista principal do «debate»...

...pois é...

...ele mesmo...

Fiquem para ver: as aventuras de AFC, o «anti-academicista»!

sábado, 20 de dezembro de 2008

Djone - Um novo conceito sociológico

Brevemente...

"Faz o que eu digo...não faças o que eu faço!"

No ensino da sociologia temos assim, por um lado, a necessidade de relativizar, como obstáculo à aprendizagem, aquilo que o estudante sabe ou pensa saber e, por outro lado, temos que relativizar essa relativização, procurando partir justamente daí para ensinar.

Fernando Luís Machado in "O Ensino da Sociologia: entre ciência e profissão", Cadernos de Ciências Sociais, nº 12/13, 1993, pág. 84.

Das duas uma:

1) ou FLM gosta mais da "dupla ruptura epistemológica" do que "sabe ou pensa saber";

2) ou então este é mais um caso vergonhoso de jogo duplo!

Eu cá aposto na segunda hipótese.

("Isso é um raciocínio sub-mental" - dizia FLM, a respeito de uma intervenção do Gilberto...alguém se recorda?)

As aulas de Instituições ensinaram-nos a relativizar a relativização da relativização que o professor tanto defende quanto faz exactamente o contrário!

Há que "partir justamente daí" para aprender, não é verdade caros colegas?

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Grande memória

Mesmo que nos tentem calar... não nos esqueçamos:
Sois jovens. Tendes tempo! (PV).

chiuuu...

Alguém decidiu, uma vez mais, apagar o mural e, assim, reforçar a mensagem inscrita no mesmo: chiu, não faças barulho, estuda, conforma-te, e, sobretudo, não te esqueças de pagar.
A sombra bem tenta calar a nossa paixão. Mas esta é indestrutível.

O que é isto?!...

"A estatística é uma necessidade dos tempos modernos. A sua inexistência ou precaridade são factores inibitórios do sucesso"
Boletim Mensal de Estatística, nº7, Julho de 1971, Lisboa.
O pior é que:
Mudam-se os tempos, mas não se mudam as vontades.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O Natal dos sociólogos...

Deve ser da época do ano...na televisão portuguesa proliferam os programinhas de Natal (como por exemplo o clássico Natal dos Hospitais)...que pena!!! já ñ bastava estar-se doente numa cama de hospital, ainda tem de se aturar as pimbalhadas do costume.

Estejam trânquilos! Não quero postar sobre o mundo pimba tradicional...

Mas nos últimos dias curiosamente (ou não) um conjunto de "dignissimos cientistas sociais" (sociólogos iscteanos) têm preenchido "programas televisivos de referência". PA no programa Sociedade Cívil e RPP (numa loucura mediática) no Expresso da Meia Noite e no Prós e Contras (só falta ir ao jornal nacional da tvi com a Manela!!!).

Esta febre mediática iscteana é no mínimo intrigante...mas reconheço-lhe um mérito: sempre podem ter sido conquistados alguns clientes (alunos) para proximos anos lectivos...se o conseguiram, parabens!!!

Estou intrigado! qual será a percentagem de clientes (perdam alunos) que chegaran ao iscte, no próximo ano lectivo, motivados pela iscteana presença mediática!?a resposta é fácil de obter, é só colocar o inigualável cies a realizar um dos seus estupendos (palavra que não sei se tem a mesma raíz da palavra estupidez!?) estudos "quantificativos"...

Assisti ainda nessas performances televisivas, sobre a actualidade (obviamente a crise), RPP a pronunciar-se sobre as problemáticas da educação, dizendo que nos deviamos concentrar nos alunos...
Numa perspectiva RPPeriana digo apenas que os seus argumentos, sobre educação, não são isentos, uma vez que ele é parte interssada (vocês sabem do que é que estou a falar!)

O que nos vale é que vem aí o Bravo Bravissimo ou um qualquer circo para preencher as grelhas televisivas e nos interter...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Dos convites à (não) leitura

Para os gestores do saber performativo, só existem dois tipos de autores: aqueles que merecem ser lidos e aqueles que não o merecem ser.

Os primeiros são os verdadeiros sociólogos que fazem a verdadeira sociologia.

Os outros são pseudo-sociólogos, quasi-sociólogos, ou, simplesmente, fraudes anti-científicas.

Nunca sociólogos. Jamais sociologia.

É claro que os adeptos desta taxonomia informal nunca apontam nomes concretos.

Isso traz-lhes demasiadas chatices e expõe-os à crítica de quem não partilha a mesma opinião sobre os mesmos autores e as mesmas ideias (isto, claro, quando se chega à parte das ideias...geralmente nem aí se chega!).

Felizmente, existe uma solução mais eficaz para garantir que os principiantes não vão ler aquilo que não merece ser lido: cair-lhes em cima com argumentos de terceiros acima de qualquer suspeita («os bons da fita») contra os inimigos imaginários da ciência («os maus da fita»).

A maioria dos principiantes, não tendo nenhuma referência prévia (positiva ou negativa) daqueles que são criticados, mas tendo, em contrapartida, várias referências elogiosas daqueles que criticam (por isso é que a crítica é eficaz!), acaba por dar o seu assentimento não-informado aos argumentos destes últimos e, por conseguinte, ao seu sistema de referências fechado e obsoleto.

E assim se faz a tão badalada cumulatividade da teoria sociológica: em sacrificio de tudo aquilo que não deve ser considerado «sociologia», em sacrifício de um horizonte alargado de referências e visões do mundo, em sacrifício dos diferendos que nos alimentam a alma...

Em sacrifício da inquietação do principiante!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Metamorfoses de uma conferência

No início desta semana, vi, num corredor do instituto, um cartaz a anunciar a próxima conferência do programa de doutoramento em sociologia.

"The social costs of neoliberal politics" (tenho quase a certeza que o título era este)
"Epstein" (salvo erro, o apelido do senhor conferencista)
"10 de Dezembro" (a data)

Lembro-me, também, de ter reparado que era no mesmo auditório do costume, à mesma hora do costume. E de ter pensado: as mesmas pessoas do costume e a mesma cerimonialidade bacoca do costume...

No entanto, fiquei ligeiramente surpreendido com o título da conferência: juntar, na mesma frase, "social costs" e "neoliberal politics" só podia ser uma coisa de esquerda com um tipo de esquerda.

Será que RPP se tinha distraído na triagem ideológica que faz dos convidados?

"Social costs" + "neoliberal politics" = "retórica anti-reformista"?

Caramba, pá.

Ficou-me a dúvida (e fiquei sinceramente preocupado com o bom nome do departamento!)

(...)

Hoje, uma hora e meia antes da dita conferência, recebo um e-mail do departamento a convidar-me para a mesma (mais um exemplo das boas práticas do secretariado...)

Claro que não tirei os pés do aquecedor...

...mas não pude deixar de sentir um regozijo interior quando percebi que o valente RPP tinha corrigido a distracção a tempo: se não podes mudar a cor política do conferencista ou pô-lo a andar depois de ele ter aterrado em Portugal, sempre podes sugerir-lhe, delicadamente, que mude o título para a coisa não parecer tão...esquerdalha bandalha!

Digam lá se este título não parece muito mais conforme ao eclectismo cabeçudo do departamento de sociologia: "The Global Financial Crisis: Preventing a Great Depression and Ending the Destructive Cycle".

Afinal o cafezinho com o Sr. Epstein sempre resultou...

Números...números...e mais números

"Uma estatística vale aquilo que vale a burocracia que o produz" (Maurice Cusson).

O desprezo pelo debate

Na passada semana, decorreu no ISCTE um colóquio internacional organizado pelo "nosso querido" CIES (para quem não se lambra... e para quem quer esquecer: Centro de Investigação e Estudos de Sociologia), intitulado: Identidades à Prova: Jovens, Pertenças, Dualidades e Ancoragens.
Neste grandioso, prestigiante, enriquecedor ($), etc. evento, uma eminente socióloga da educação da CASA apresentou o estudo: Desigualdades no quotidiano escolar: alunos autoctones, cabo-verdianos e indianos. TS apresentou o estudo e suas lamentáveis conclusões, a que voltaremos mais tarde. Importa ter um pouco de lógica!
Quando da plateia, alguém questiona a pertinência deste estudo comparativo? TS responde: eu até sou capaz de concordar que isto é comparar o incomparável.
Porque é que TS nem deu luta!? Será tudo egoísmo!? fez o trabalho (diz que foi uma espécie de investigação) e foi a primeira a destruí-lo...
Por favor deixem-nos alguma tarefa! queremos ser uteis! nunca utilitaristas

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

1º ano: o (in)esperado (re)encontro

Chegado ao quinto ano do percurso pelos trilhos da sociologia, é sempre bom, ou não... (re)lembrar as origens (o saudoso 1º ano: saudoso muito muito por culpa de PV).
Assim, numa aula de "apoio" à dissertação AT utilizou mais de metade das 2horas na (re)apresentação do famoso Manual de Investigação em Ciências Sociais dos "grandes" Quivy e Campenhoudt.
AT recuperou uma das suas aulas de metodologias do 1º ano e apresentou com relativa exaustividade as 7 etapas da - boa - investigação... São mesmo 7!!! pude (re)confirmá-lo...
Depois deste regresso de 4 anos na máquina da sociologia iscteana, dois sentimentos contraditórios assaltam o meu espírito: por um lado, sinto-me mais confiante, capaz, preparado, etc. para levar a cabo a minha tese (sim digo tese e não dissertação); por outro lado, a vontade motivação, interesse, etc. em regressar à aula de AT é cada vez menor... ou melhor, é inexistente!!!

...e, apesar de tudo, eles discutem!

André Freire (AF) vs Rui Pena Pires (RPP)

Round 1

AF - Os três calcanhares de Aquiles da governação PS sob Sócrates (I, II e III)

RPP - Um olhar umbiguista

Round 2

AF - Asfixia do ensino superior: resposta a Rui Pena Pires

RPP - A retórica anti-reformista (1)

Round 3

AF - Défice de diálogo social: resposta a Rui Pena Pires (I, II e III)

RPP - A retórica anti-reformista (2)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Tristes Memórias: LC

Antes de Gabriel Tarde, o sociólogo, deixo uma triste memória de um sociólogo da nossa húmilde praça - leia-se, ISCTE.
Quem não se lembra de LC?, o sociólogo que não suporta ser interrompido durante as suas - esplendorosas...ou não - aulas de SCE. O que fazia, então, LC, para não ser interrompido?
Resposta simples: trancava a porta, impedindo que alunos...dignos pagadores de propinas...tivessem a displicência de chegar atrasados e, assim, incomodar o senhor LC nas suas prestações sociológicas.
Que recordações da mítica frase já deu o segundo toque, tens falta!... nascida e criada na nossa etapa pré-iscteriana.
LC é, hoje, um sociólogo de sucesso. Ocupa uma função importante no Ministério da Educação. Será que LC se atrasa 1 minuto, que seja, ao seu local de trabalho?... cuidado com o segundo toque!

Gabriel Tarde, o sociólogo

Brevemente...

(ou não!)

Gabriel Tarde, o bruxo mulherengo

Quand il se trouvait dans une réunion un peu touffue, n'y êut-il que deux ou trois jupes claires contre cinquante habits noirs, c'est dans le voisinage d'une d'elles qu'on était sûr de le découvrir. En petit comité, mieux encore! Il avait poussé jusqu'à la perfection cet art de faire minauder et ronronner les dames dont on caresse la main, qui s'appelle la chiromancie. Au bout d'un court moment, on n'avait plus yeux que pour lui: «Et moi, M. Tarde? Et moi?». Et les jolies mains s'avançaient et il fallait trouver d'aimables choses à dire, varier les compliments, stilligoutter de temps en temps une larme de citron, et Tarde s'acquittait à merveille de son rôle, et les jours suivants c'était un concert de rires perlés et de froufroutants éloges qui se réveillait au moindre souvenir.
Henri Mazel in "A Propos de Gabriel Tarde", Mercure de France, nº 51, julho-setembro de 1904, pág. 92

Gabriel Tarde, o botânico

Une ligne me rappelle une question que je lui posait un jour. Etonné de l'aisance variée de ses connaissances, histoire, droit, sociologie, linguistique, que sais-je, je lui demandais: «Quelle est donc la science que vous avez le plus étudiée à fond?». Il me répondait aussitôt: «La Botanique».
Henri Mazel in "A Propos de Gabriel Tarde", Mercure de France, nº 51, julho-setembro de 1904, pág. 97

ISCTE: A Escola-Empresa
















quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

...é um prazer estar de volta


Pela paixão. Pela amizade. Pela partilha.

Até já.

Tributo à Paixão

Este blog nasce de uma resistência. Uma resistência ao inquestionável. Uma resistência ao absoluto. Uma resistência à falta de Paixão...Paixão...o sentimento que, desde cedo, nos uniu, e que, para sempre, nos acompanhará. Estudantes de Sociologia no ISCTE - a frequentar o 2º ano do mestrado - decidimos criar um espaço, onde possamos partilhar a nossa forma de estar...no ISCTE, na Sociologia, no Conhecimento Científico...o tempo dirá o que será este blog. A nossa única certeza é a Paixão. Queremos partilhá-la.
Dauto, Carina, Cheila, Pablo...nem seria necessário dizê-lo...esta Paixão também é vossa...é nossa...é de todos os que, com ela, se identificam...de todos os que a ignoram...de todos os que não a compreendem...
A diferença faz parte da Paixão.
Saudações anti-utilitaristas