Quando é que um@ principiante está preparad@ para ler um «clássico» da sociologia?
Lembrei-me desta questão ao recordar as aulas de teorias sociológicas do 1º ano da licenciatura leccionadas pelo professor RPP.
Dizia ele, aos seus alunos, que «não valia a pena lerem os clássicos».
Porquê?
Porque, segundo RPP, «não iam entender nada».
Dizia-o como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Como se «não entender nada» fosse uma fatalidade.
Sobretudo, como se ele não tivesse o dever de estimular o gosto pela descoberta nos seus alunos!
Ao mesmo tempo, porém, RPP não perdia uma oportunidade para sublinhar a importância de Durkheim, Simmel, Weber, Marx, Spencer, entre outros «clássicos».
O que, por si só, faz todo o sentido, pois se ele (um dos «gestores do saber performativo» com mais poder para decidir aquilo que conta e aquilo que não conta como «sociologia» no instituto) não lhes reconhecesse importância, não haveria nenhuma razão para continuarem a figurar nos programas das cadeiras de teorias sociológicas...
Não haveria, sequer, nenhuma razão para que RPP se preocupasse tanto com o assunto ao ponto de desencorajar explicitamente esse comportamento transgressivo que é a leitura dos «clássicos»!
[continua]
Lembrei-me desta questão ao recordar as aulas de teorias sociológicas do 1º ano da licenciatura leccionadas pelo professor RPP.
Dizia ele, aos seus alunos, que «não valia a pena lerem os clássicos».
Porquê?
Porque, segundo RPP, «não iam entender nada».
Dizia-o como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Como se «não entender nada» fosse uma fatalidade.
Sobretudo, como se ele não tivesse o dever de estimular o gosto pela descoberta nos seus alunos!
Ao mesmo tempo, porém, RPP não perdia uma oportunidade para sublinhar a importância de Durkheim, Simmel, Weber, Marx, Spencer, entre outros «clássicos».
O que, por si só, faz todo o sentido, pois se ele (um dos «gestores do saber performativo» com mais poder para decidir aquilo que conta e aquilo que não conta como «sociologia» no instituto) não lhes reconhecesse importância, não haveria nenhuma razão para continuarem a figurar nos programas das cadeiras de teorias sociológicas...
Não haveria, sequer, nenhuma razão para que RPP se preocupasse tanto com o assunto ao ponto de desencorajar explicitamente esse comportamento transgressivo que é a leitura dos «clássicos»!
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