sexta-feira, 29 de maio de 2009

Do sujeito «escrever-para-a-tese» enquanto «projecção identitária»

Um dos problemas de quem escreve pouco (ou, o que vai dar no mesmo, de quem escreve alguma coisa de muito em muito tempo), é a tendência para mistificar o próprio processo de escrita e tudo aquilo que lhe está associado.

Como, no dia-a-dia do «trabalho autónomo», esta categoria de principiantes se limita a fazer umas anotações nas margens dos livros e uns rabiscos numas folhas em branco, a mera representação mental de uma figura humana sentada diante de um computador a escrever um capítulo de uma tese (ou qualquer coisa passível de vir a entrar nessa tese) constitui uma experiência de alteridade radical.

«Quem é aquela pessoa?»

Embora aquel@ que imagina a figura esteja a fazer um esforço tremendo para se colocar no lugar da figura (i.e. no lugar de alguém que está a escrever para a tese), essa projecção identitária dificilmente terá sucesso.

Entre o sujeito anotações-rabiscos e o sujeito escrever-para-a-tese existe um abismo quase insuperável.

E, no entanto, o sujeito anotações-rabiscos reconhece todos os seus objectos pessoais naquele quadro: o seu portátil de marca portuguesa, os seus livros empilhados, os seus lápis minúsculos, o seu candeeiro futurista, a sua florzinha de vidro, etc.

Até o barulho dos carros, lá fora, parece ser exactamente igual.

Só falta o mais importante: reconhecer-se a si mesmo...e começar a escrever!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Sociologia à bolonhesa: uma ementa fast food


Ingredientes (refeição para 40 páginas):

- Vá ao supermercado / biblioteca mais perto de si, e escolha um objecto de estudo do seu agrado;

- Aproprie uma qualquer teoria sociológica. Muito importante: utilize os conceitos adequados, isto é, os conceitos, frequentemente, utilizados pelas receitas sociológicas. Lembre-se que a utilização de ingredientes inadequados é meio caminho andado para um mau resultado final;

- Prepare o refogado. Descasque meia cebola (as lágrimas, desde que sejam objectivas, ficam sempre bem);

- Para completar o refogadinho, não se esqueça dos 7 elementares condimentos a la Quivy / Campenhoudt, a saber: 1) pergunta de partida, 2) exploração, 3) problemática, 4) modelo de análise, 5) observação, 6) análise de resultados e 7) conclusões. Para um paladar mais agradável, aconselhamos a introdução destes ingredientes, na receita, segundo a ordem apresentada;

- Após uma boa cozedura dos ingredientes, leve a tese ao forno. Quando as suas orelhas começarem a fumegar, é sinal que a sua receita / tese está pronta.

E voilá...receita pronta a servir!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Quando a hipótese deixa de ser fio condutor, transformando-se num produto macabro da crença credível, acreditada e «acredetizante»…

Segundo Raymond Quivy, “Não há observação ou experimentação que não assente em hipóteses. Quando não são explícitas, são implícitas ou, pior ainda, inconscientes. E, quando não são explicitamente construídas, conduzem a becos sem saída…”.

Beco sem saída…a inexistência de hipótese de investigação conduz a um beco sem saída. Talvez…

Por seu lado, a construção de uma hipótese de investigação conduz a uma só saída…ou melhor, TEM que conduzir a uma só saída. A hipótese começa por ser, de facto, o fio condutor da investigação. O pior é que, a dada altura, o fio condutor se transforma em obsessão: a realidade observada TEM que confirmar a hipótese.

O maior medo d@ investigad@r é prever que a realidade negue a sua hipótese de investigação… um estudo efectuado pelo INE (divulgado – como não poderia deixar de ser – em primeira mão, pela inquietação do principiante) revela que 8 em cada 10 sociólog@s – investigador@s acordam, a meio da noite, aos gritos: «NÃO, NÃO NÃAAAAAAAAAAAAAAAO».Tudo por causa da incompatibilidade Hipótese / Realidade. Entrevistas realizadas @s legítim@s companheir@s d@s sociólog@s – investigador@s reflectem as consequências, daquela obsessão, na vida conjugal d@s investigador@s.

É que, parecendo que não, acordar, de repente, a meio da noite, com um berro, é capaz de não fazer muito bem à saúde.

Tendo em consideração este estudo inventado por mim - no fundo, é uma hipótese e, como tal, tem que ser verdadeira - deixo um conselho a tod@s @s jovens investigador@s: façam a tese, primeiro, e casem depois.
Confesso que aqui em casa...já ninguém me atura.

Para quem ficou a pensar que, bem vistas as coisas, até dava jeito poder ler mais rápido (sim, é verdade, há gente a fazer dinheiro com isto)

Da capacidade de trabalho (5)

Não, não vou defender a tese do facilitismo: isso seria tirar mérito @ tod@s aquel@s que fizeram a «unidade curricular» (eu incluído) e desvalorizar a carga de trabalhos (eu que o diga) que o trabalho lhes (nos) deu.

Prefiro concluir o seguinte: só foi possível cumprir o tempo de «trabalho autónomo» previsto (126 horas), comprometendo o plano de trabalho previsto (nomeadamente a leitura, compreensão e discussão de toda a «bibliografia de trabalho»).

A não ser, é claro (temos sempre de admitir umas hipóteses absurdas), que «bibliografia de trabalho» não queira dizer «bibliografia de trabalho» e que nada disto seja para levar muito a sério...

Enfim, cada um@ tem as suas crenças.

E eu, se querem que vos diga, não acredito numa universidade assim.

Da capacidade de trabalho (4)

A verdade é que tudo se tornou mais fácil quando percebemos que o trabalho final não era tão exigente quanto a «bibliografia de trabalho» e o conteúdo das aulas nos tinham levado a imaginar: nem naquilo que nos era solicitado (relacionar dois conceitos de teorias sociológicas), nem nas leituras que teríamos de fazer para dominar esses conceitos e relacioná-los entre si.

É claro que não estavamos nada motivados para o fazer.

É claro que tivemos algumas dificuldades para o fazer.

E é claro que levámos um certo tempo para o fazer.

As 126 horas previstas para o «trabalho autónomo» d@ alun@?

Talvez.

Mas quanto tempo teria sido necessário se nos tivessem exigido (aliás, como tudo o dava a entender!) o domínio da «bibliografia de trabalho»?

Pois...

[continua]

Da capacidade de trabalho (3)

...126 horas de «trabalho autónomo» (!?)

Será que alguém conseguiu ler e compreender os textos, formar um juízo crítico e realizar o trabalho final no tempo previsto?

A pergunta não tem sentido porque ninguém leu as famosas 1000 páginas da «bibliografia de trabalho».

Nem 1000, nem 500, nem 250.

Talvez algum@s tenham lido aproximadamente 100 páginas.

Não posso ter a certeza absoluta (é uma convicção pessoal baseada na partilha de experiências entre coleg@s).

Aquilo que sei é que tod@s @s alun@s obtiveram aprovação na «unidade curricular» e que a média de classificações foi uma das mais elevadas de todas as «unidades curriculares» do mestrado em sociologia.

É claro que fiquei (ficámos) contente(s) por saber que ninguém tinha chumbado e que as notas tinham sido boas.

Mas como é que isso foi possível se nenhum@ d@s minh@s colegas (eu incluído) leu (e, não menos importante, compreendeu minimamente bem) a «bibliografia de trabalho»?

[continua]

Da capacidade de trabalho (2)

Depois de fazer contas e de conversar com @s minh@s coleg@s, fiquei a pensar no assunto durante algum tempo.

Como explicar tamanha disparidade?

Seria o professor uma máquina de fast reading ou estariam @s su@s alun@s muito aquém do esperado para aquele nível de estudos?

Teria ele consciência de que @s su@s alun@s levariam quase 67 horas só para ler (!) a «bibliografia de trabalho» de aproximamente 1000 páginas (assumindo como padrão de referência 15 páginas/hora)?

Quantas horas mais seriam necessárias para compreender os textos e formar um juízo crítico?

E para sublinhar?

E para fazer anotações?

E para voltar atrás?

E para consultar um dicionário?

E para olhar pela janela?

E para limpar as lentes dos óculos?

E para mudar a postura do corpo?

E para tirar macacos do nariz?

(...)

Consulto a documentação da «unidade curricular» e vejo que está previsto @ alun@ realizar um total de 126 horas de «trabalho autónomo»...

[continua]

Da capacidade de trabalho

Numa aula de teorias sociológicas do 2º ciclo de estudos em sociologia, a propósito já não sei exactamente do quê, o professor gaba-se do seu talento para o fast reading: «50 páginas de um livro técnico estrangeiro em apenas 1 hora».

Imediatamente, pus-me a fazer contas de cabeça: se o professor lê 50 páginas em 60 minutos, quantas páginas lê por minuto?

E cheguei a este número: 0,833333333 páginas/minuto.

Mais tarde, em conversa com @s minh@s coleg@s, chego à conclusão que a maioria oscila entre 10/15 páginas por hora (entre 0,166666667 páginas/minuto e 0,25 páginas/minuto).

Isto quer dizer que, na melhor das hipóteses, cada um@ demora 4 minutos a ler uma página.

Muito longe da marca do professor...

[continua]

A voz de Émile Durkheim


Excerto de uma comunicação proferida pelo autor em 6 de Abril de 1911 no Congresso Internacional de Filosofia realizado na cidade italiana de Bolonha, posteriormente publicada na Revue de Métaphysique et de Morale com o título «Jugements de valeur et jugements de réalité».

Coloquem uns auscutadores para ouvirem melhor e cliquem aqui.

Não é exactamente aquilo que tinham imaginado?

PS: devem ter estranhado este Durkheim anti-utilitarista («Vivre, c’est, avant tout, agir, agir sans compter, pour le plaisir d’agir. Et si, de toute évidence, on ne peut se passer d’économie, s’il faut amasser pour pouvoir dépenser, c’est pourtant la dépense qui est le but; et la dépense, c’est l’action»); da primeira vez que li este artigo também fiquei surpreendido; mas depois, à medida que fui alargando as minhas leituras a textos menos conhecidos do autor, percebi que o Durkheim da Divisão do Trabalho SocialMets-toi en état de remplir utilement une function déterminée») é apenas um entre muitos outros (e, se querem que vos diga, talvez o menos interessante...).

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Um pingo de coração na razão

Às vezes, para pensar os bairros e as Belas Vistas, é preciso um pingo de coração na razão...




No Ghetto que te pariu

Nas fronteiras da outra cidade
o parto da vida não se alegra no escorrega de sangue.
É acolhido pelo berço bordado a betão.
É mais um menino que carrega a leveza invisível de toneladas
que se acumulam nas fissuras da liberdade e igualdade da ilusão.
Meninos com a nostalgia da infância
que floresce nos paradoxos das saudades do que se desconhece.
É a distância da meninice e sua benção.
É fome, não é sede…
É o olhar que se banha nos chuveiros das tristezas.
É o corpo que se forja na musculatura dos dias.
É, enfim, mais um menino que se divorcia das tintas do contrato social…

Gritos que os cimentos abafam.
Silêncios que formam soldados das ruas.
Tropas de elite sem farda,
nas malhas da razão que se deixa enganar pela ilusão, tentação, opressão…
Não, não é invenção.
É o choro do destino
perdido nos labirintos da estigmatização .
Olhos se babam na dor do coração
perguntando: para quando a igualdade na melodia de uma canção?

domingo, 17 de maio de 2009

Prometo que é a última vez que brinco com a estatística...

Tarde e a «primeira condição para ser sociólogo»

[cliquem na imag
em para aumentar]


Les deux éléments de la sociologie», in Études de Psychologie Sociale, pág. 94, 1898]

Tradução pessoal (foi o que se pôde arranjar...não deixem de ler o original!):
E, da mesma forma, a primeira condição para ser sociólogo é amar a vida social, simpatizar com homens de todas as raças e de todos os países reunidos em torno de um domicílio, procurar com curiosidade, descobrir com felicidade o que encobre de dedicação afectuosa a cabana do selvagem tido como mais feroz, talvez mesmo o refúgio do malfeitor; por último, nunca acreditar facilmente na estupidez, na maldade absoluta do homem no seu passado, nem na sua perversidade presente, e nunca desesperar em relação ao seu futuro.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Da estrutura da tese

Em conversa com outr@s principiantes, identifico uma certa angústia relativamente à estrutura da tese.

Mesmo que @ principiante já saiba de antemão o que quer dizer e onde deseja chegar na respectiva tese, isso não significa que apenas uma estrutura-tipo esteja em condições de fazê-l@ dizer o que el@ quer dizer e de fazê-l@ chegar onde el@ deseja chegar.

Sé é verdade que muit@s principiantes optam por seguir o caderno de encargos estipulado pel@ orientador@ e/ou pelos «seminários de apoio» e/ou por um qualquer «manual de investigação», não é menos verdade que muit@s outr@s vivem este problema como um desafio pessoal.

Para quem pretende fazer um trabalho minimamente original que não se limite a reproduzir o «estado da arte» sobre um determinado «domínio de investigação», não existem soluções pré-concebidas.

Tudo está em aberto e tudo deve permanecer em aberto durante o processo de escrita.

De outra forma, como poderia @ principiante desenvolver os germes da sua inquietação?

Ninguém tem dúvidas que é mais cómodo trabalhar a partir de uma estrutura previamente definida e não admitir o mínimo desvio a esse esquema de trabalho: poupa-se tempo, chatices e dinheiro.

Mas quem nos garante que, a meio desse trajecto vitorioso, não teremos uma vontade irresistível de voltar atrás e soltar rédea a uma daquelas ideias que tinha ficado esquecida entre o capítulo da «problemática» e o capítulo da «metodologia»?

Eu, principiante indeciso, me confesso: tendo apresentado um projecto de tese em Outubro do ano passado, já o alterei vezes sem conta e, todas as vezes que o faço, digo a mim mesmo que «desta vez é que é»...

Entretanto, i.e. entre estruturas, vou lendo umas coisas interessantes e abrindo ainda mais o campo dos possíveis para a minha tese de mestrado.

De facto, a progressão de uma tese é uma coisa muito pouco linear...

(mas isto já é outro post!)

terça-feira, 12 de maio de 2009

«Os discursos que pretendem justificar a violência com causas sociais são perigosos» (Paulo Portas)

A não ser que o líder do CDS-PP esteja a postular a ininteligibilidade da violência, que alternativa propõe às odiosas «causas sociais»?

A teoria do «criminoso-nato»?

Até um «incrédulo» como eu percebe que o social é o menos perigoso dos princípios explicativos justamente porque não se limita a «justificar a violência».

«Perigosos» não são «os discursos que pretendem justificar a violência com causas sociais», mas sim os discursos que pretendem justificar a recusa de causas sociais com a sua suposta perigosidade!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Instituto Universitário de Lisboa (antigo ISCTE): «pague hoje, receba daqui a 22 meses»

Data em que encomendei (92€ de «pré-pagamento») um diploma de licenciatura em sociologia: 12 de Julho de 2007.

Data em que recebo uma carta a comunicar-me que o diploma já pode ser levantado: 8 de Maio de 2009.

Estou intrigado: o que terá este diploma de tão especial para demorar tanto tempo a ser feito?

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Tarde e a arte de escrever prefácios (ou de como a «desordem» torna «suportável» a «uniformidade»)


[cliquem na imagem para aumentar]

[Études de Psychologie Sociale, 1898]

Embora o original seja incomparavelmente mais elegante, arrisco uma tradução livre (sublinhei a negrito a minha parte preferida):
Os estudos, muito diversos de objecto mas muito similares de princípio, cujo presente volume é a compilação, já apareceram na sua maioria em várias publicações periódicas. A mais completa desordem, eu confesso-o, presidiu ao seu agrupamento, e eu teria de me desculpar por esta mixórdia [«bigarrure»] se ela não fosse intencional, isto é, adequada a dissimular ou a tornar suportável a uniformidade do ponto de vista geral que lhes é comum. Receio que, depois de me terem acusado de ser excessivamente desordenado, o leitor me acuse por fim de ser excessivamente sistemático. Mas é-me tão impossível conceber um espírito humano sem sistema como um corpo humano sem espinha dorsal.

sábado, 2 de maio de 2009

Eu também quero ser ciência, vá lá!!

Tenho tido, no âmbito do meu trabalho, dias de forma(ta)ção em mediação social, intercultural, sistémica, educativa, escolar, etc, etc e etc.
Na verdade, não sou ingénuo ao ponto de não reconhecer algumas mais-valias que estas forma(ta)ções trazem para o desenvolvimento do meu trabalho em intervenção social. Por outro lado, como sociólogo púbere, imberbe e principiantemente inquieto – que tenho o prazer de ser - tenho o vício de olhar para os bastidores das coisas, sobretudo, se são coisas-conhecimento.

Na última sessão do segundo módulo de forma(ta)ção, enquanto o meu olhar viajava entre os palcos e os bastidores, pude observar que entre os diapositivos, que apareciam e desapareciam ao ritmo das informações que disseminavam, a mediação, quase sorrateiramente, passava a ser ciência. Foi então que a minha irrequietude ganhou comichão. De repente estava perante uma nova “ciência”, que precisava de ser ciência para ser um conhecimento legitimado num mercado, exclusivamente, sedento de conhecimentos utilitaristas. Estava perante uma disciplina técnica disposta a renunciar a sua herança pluridisciplinar em nome de uma existência científica vazia. Porquê?
Porque no nosso mundo, o catálogo ciência significa legitimidade existencial nos processos de produção do próprio mundo. E para sermos científicos basta despir-mos a nossa herança não-científica, como se tivessem uma participação secundária na nossa existência.

Saudações do lado dos “países primitivos atrasados”

Diz-me quanto tempo demoras a escrever um e-mail para @ tu@ orientador@, dir-te-ei que tipo de orientand@ és

«Despachado»
: escreve o e-mail em dois minutos e envia-o sem verificar a ortografia e a formatação;

Tempo total - 2 minutos e 30 segundos (se estiver num dia mau)

«Multifunções»: escreve o e-mail num quarto de hora porque se distrai a cortar as unhas, a olhar para a televisão e a fazer festas ao gato;

Tempo total - mais ou menos 15 minutos (depende da proximidade do gato, daquilo que estiver a dar na televisão e do tamanho das unhas);

«Preguiçoso»: começa a escrever o e-mail na sexta-feira à tarde (10 minutos), acrescenta umas coisinhas no sábado (5 minutos) e acaba no domingo à noite depois do monólogo do Rui Santos no canal cinco da TV Cabo (10 minutos);

Tempo total - 25 minutos (embora pareça um fim de semana inteiro)

«Info-excluído»: escreve em papel (15 minutos), entrega-o à rapariga que sabe mexer em computadores e esta demora a enviar o e-mail porque não percebe a caligrafia do seu colega (+ 30 minutos);

Tempo total - 45 minutos (se ela não for difícil de convencer)

«Baldas»: pensa vagamente naquilo que quer escrever (2 minutos), mas lembra-se logo de seguida que não tem o correio electrónico da sua orientadora (+ 30 minutos para descobrir o endereço + 20 minutos para descobrir a palavra-passe da sua conta + 5 minutos para escrever e enviar o e-mail);

Tempo total - 57 minutos (se entretanto o computador não for abaixo)

«Graxista»: demora apenas 20 minutos para as questões directamente relacionadas com trabalho, mas aproximadamente 1 hora para tudo o resto;

Tempo total - 80 minutos (ou ainda mais no caso de não falar com a orientadora há alguns dias)

«Academicista»: entre citações de Latour, referências a Lyotard e notas sobre Lazzarato, leva quase duas horas;

Tempo total - 110 minutos (se não encontrar aquele poema de Gabriel Tarde)

(...)

Last but not least:

«Pessoas como eu»: por cada palavra escrita imaginam 100 palavras diferentes que substituem à palavra inicial até se decidirem qual delas fica em definitivo;

Tempo total - 261 minutos (i.e. a duração do filme Amor de Perdição de Manuel de Oliveira)

(...)

PS: Tempo que levei a escrever este post - aproximadamente 80 minutos (com um intervalo de uma hora pelo meio para comer biscoitos com doce de pêra e ver o Eixo do Mal no canal cinco da TV Cabo)