Uma pesquisa no google - proveniente do outro lado do Atlântico (Brasil) - veio ter à "inquietação do principiante", através da seguinte pesquisa: «ilusionismos para principiante». Antes de mais, peço desculpa ao inocente aspirante a ilusionista, pela perda de tempo. Ou talvez não...
Pensando bem, o ilusionismo é a grande arma da sociologia do iscte. À entrada, é tudo um «mar de rosas» (curso em sociologia mais prestigiado e procurado do país, reconhecido no estrangeiro, emprego garantido [?!]). Quando os «iludidos» começam a desconfiar, os gestores da sociologia performativa estão lá para os tranquilizar (calma, o estatuto profissional da sociologia continua a salvo - nem que seja num callcenter). Quando os «iludidos» abandonam a ilusão, tornando-se contestatários, os gestores da sociologia performativa continuam lá para os tranquilizar (não se preocupem, é tudo simbólico).
Aspirantes a ilusionistas! Aconselho-vos um estágio no iscte... garanto-vos...uma excelente escola de ilusionismo.
sexta-feira, 27 de março de 2009
Durkheim e o exercício da crítica
Em Les Règles de la Méthode Sociologique (1894), Émile Durkheim propõe que passemos a «considerar os factos sociais como coisas» [tradução portuguesa, pág. 49 e ss.].
«E, com efeito, até agora, a sociologia tem tratado mais ou menos exclusivamente, não de coisas, mas de conceitos» - acrescenta o autor.
De quem é que Durkheim está a falar?
«só podem ser demonstradas uma vez constituída a ciência» (!?)
Das duas uma:
«E, com efeito, até agora, a sociologia tem tratado mais ou menos exclusivamente, não de coisas, mas de conceitos» - acrescenta o autor.
De quem é que Durkheim está a falar?
- De Auguste Comte e da sua teoria do desenvolvimento histórico: «tomou a noção que tinha do desenvolvimento histórico, e que não difere muito da do vulgo, pelo próprio desenvolvimento»;
- De Herbert Spencer e da sua definição de sociedade: «o que se define assim não é a sociedade, mas a ideia que dela faz Spencer»;
- De John Stuart Mill e do objecto que este atribui à economia política: «a matéria da economia política, assim compreendida, é feita não de realidades que se podem apontar com o dedo, mas de simples possíveis, de puras concepções do espírito».
«só podem ser demonstradas uma vez constituída a ciência» (!?)
Das duas uma:
- Durkheim tem razão nesta crítica, logo, perde toda a legitimidade para dizer em que consistem os factos sociais e como devemos tratá-los nas nossas pesquisas;
- Durkheim não tem razão nesta crítica, logo, as ideias de Comte, Spencer e Stuart Mill não podem ser descartadas só porque a ciência ainda não está suficientemente avançada para provar se elas são falsas ou verdadeiras.
quarta-feira, 25 de março de 2009
«Mamã, como é que se fazem as representações colectivas?» (conclusão)
No derradeiro parágrafo do texto, Durkheim regressa ao ponto de partida, do qual, em bom rigor, nunca se terá chegado a afastar:
Um «naturalismo sociológico» que vê nos fenómenos sociais «factos específicos» e que se propõe dar conta deles respeitando «religiosamente» a sua especificidade...
...«religiosamente» (!?)
Não, car@s principiantes, não é uma metáfora; é uma prescrição moral!
Tendes dúvidas como é que se fazem as representações colectivas?
Resposta de Durkheim, o «socionauta»: só os fracos têm dúvidas; aos fortes basta-lhes acreditar e espalhar a fé.
Sendo assim: «oremos!»
Au-delà de l'idéologie des psychosociologues, comme au-delà du naturalisme matérialiste de la socio-anthropologie, il y a place pour un naturalisme sociologique qui voit dans les phénomènes sociaux des faits spécifiques et qui entreprenne d'en rendre compte en respectant religieusement leur spécificité.
[«Représentations individuelles et représentations collectives», 1898, pág. 22]
Um «naturalismo sociológico» que vê nos fenómenos sociais «factos específicos» e que se propõe dar conta deles respeitando «religiosamente» a sua especificidade...
...«religiosamente» (!?)
Não, car@s principiantes, não é uma metáfora; é uma prescrição moral!
Tendes dúvidas como é que se fazem as representações colectivas?
Resposta de Durkheim, o «socionauta»: só os fracos têm dúvidas; aos fortes basta-lhes acreditar e espalhar a fé.
Sendo assim: «oremos!»
«Mamã, como é que se fazem as representações colectivas?» (IV)
Uma coisa é dizer que os caracteres específicos da vida social não podem ser encontrados nos elementos também eles específicos da vida psíquica (a ideia da independência relativa entre um determinado nível e o seu respectivo substrato).
Outra coisa é dizer que se trata de uma transformação cientificamente irrepresentável (aquilo que Durkheim faz quando desvaloriza o papel do substrato e remete o problema para o domínio da metafísica).
Outra coisa ainda é dizer que as representações colectivas ganham vida própria («vie propre»), a partir do momento em que um primeiro fundo de representações («un premier fonds de représentations») é constituído:
Vida própria? Sínteses de todo o tipo? Afinidades naturais?
Segundo Durkheim, as representações colectivas formam-se a partir de outras representações colectivas!
Mas que enorme salto de fé...
Fiquem para ver: «Mamã, como é que se fazem as representações colectivas?»
Outra coisa é dizer que se trata de uma transformação cientificamente irrepresentável (aquilo que Durkheim faz quando desvaloriza o papel do substrato e remete o problema para o domínio da metafísica).
Outra coisa ainda é dizer que as representações colectivas ganham vida própria («vie propre»), a partir do momento em que um primeiro fundo de representações («un premier fonds de représentations») é constituído:
Mais une fois qu'un premier fonds de représentations s'est ainsi constitué, elles deviennent, pour les raisons que nous avons dites, des réalités partiellement autonomes qui vivent d'une vie propre. Elles ont le pouvoir de s'appeler, de se repousser, de former entre elles des synthèses de toutes sortes, qui sont déterminées par leurs affinités naturelles et non par l'état du milieu au sein duquel elles évoluent. Par conséquent, les représentations nouvelles, qui sont le produit de ces synthèses, sont de même nature: elles ont pour causes prochaines d'autres représentations collectives, non tel ou tel caractère de la structure sociale.
[«Représentations individuelles et représentations collectives», 1898, pág. 20]
Vida própria? Sínteses de todo o tipo? Afinidades naturais?
Segundo Durkheim, as representações colectivas formam-se a partir de outras representações colectivas!
Mas que enorme salto de fé...
Fiquem para ver: «Mamã, como é que se fazem as representações colectivas?»
terça-feira, 24 de março de 2009
«Mamã, como é que se fazem as representações colectivas?» (III)
Consciente das graves lacunas na sua argumentação a propósito da natureza do substrato e do processo de síntese, Durkheim acaba por se concentrar naquilo que ele considera verdadeiramente importante e acima de qualquer discussão: o facto (!?) de se produzir algo novo.
Não interessa que não se saiba como é que se produz vida; interessa é que ela existe.
Segundo Durkheim, há sempre uma distância («un écart») entre a resultante e os seus elementos que é ininteligível para os cientistas (entre os quais o sociólogo).
Mas então, nesse caso, em que se baseia a ideia de uma realidade social sui generis?
Num salto de fé?
Fiquem para ver: «Mamã, como é que se fazem as representações colectivas?»
Não interessa que não se saiba como é que se produz vida; interessa é que ela existe.
Sans doute, nous ignorons comment des mouvements peuvent, en se combinant, donner naissance à une représentation. Mais nous ne savons pas davantage comment un mouvement de transfert peut, quand il est arrêté, se changer en chaleur ou réciproquement. Pourtant, on ne met pas en doute la réalité de cette transformation; qu'est-ce donc que la première a de plus impossible? Plus généralement, si l'objection était valable, c'est tout changement qu'il faudrait nier; car entre un effet et ses causes, une résultante et ses éléments, il y a toujours un écart. C'est affaire à la métaphysique de trouver une conception qui rende cette hétérogénéité représentable; pour nous, il nous suffit que l'existence n'en puisse pas être contestée.
[«Représentations individuelles et représentations collectives», 1898, pág. 18]
Segundo Durkheim, há sempre uma distância («un écart») entre a resultante e os seus elementos que é ininteligível para os cientistas (entre os quais o sociólogo).
Mas então, nesse caso, em que se baseia a ideia de uma realidade social sui generis?
Num salto de fé?
Fiquem para ver: «Mamã, como é que se fazem as representações colectivas?»
«Mamã, como é que se fazem as representações colectivas?» (II)
Segundo Problema - as explicações sobre o processo de síntese deixam muito a desejar.
Durkheim fala-nos vagamente da «acção de forças sui generis» sobre os elementos do substrato.
Estes últimos, por efeito dessas forças misteriosas (!?), seriam levados a «combinar-se» entre si, «transformado-se» em seguida numa «coisa nova»: o social.
Como é que isto acontece?
Esqueçam.
Ele não explica.
Faz apenas uma ligeira aproximação ao modelo da «síntese química» mas, ao mesmo tempo, afirma que esta é «obra do todo».
Como é que a síntese pode ser obra do todo se este é justamente aquilo que resulta da síntese?
Só se Durkheim tiver em mente uma concepção totalista do substrato da vida social, isto é, um conjunto previamente associado de elementos do nível psíquico.
Nesse caso, aquilo que entraria como matéria-prima no processo de síntese seria já um todo ou, na pior das hipóteses, um quase-todo, um pseudo-todo, um aglomerado de partes (ainda) desprovido de vida social.
Mas não estaremos assim a criar um novo problema (como é que as partes se associaram antes do processo de síntese) sem resolver aquele que temos em mãos (como é que funciona o processo de síntese)?
Fiquem para ver: «Mamã, como é que se fazem as representações colectivas?»
Durkheim fala-nos vagamente da «acção de forças sui generis» sobre os elementos do substrato.
Estes últimos, por efeito dessas forças misteriosas (!?), seriam levados a «combinar-se» entre si, «transformado-se» em seguida numa «coisa nova»: o social.
Como é que isto acontece?
Esqueçam.
Ele não explica.
Faz apenas uma ligeira aproximação ao modelo da «síntese química» mas, ao mesmo tempo, afirma que esta é «obra do todo».
Como é que a síntese pode ser obra do todo se este é justamente aquilo que resulta da síntese?
Só se Durkheim tiver em mente uma concepção totalista do substrato da vida social, isto é, um conjunto previamente associado de elementos do nível psíquico.
Nesse caso, aquilo que entraria como matéria-prima no processo de síntese seria já um todo ou, na pior das hipóteses, um quase-todo, um pseudo-todo, um aglomerado de partes (ainda) desprovido de vida social.
Mas não estaremos assim a criar um novo problema (como é que as partes se associaram antes do processo de síntese) sem resolver aquele que temos em mãos (como é que funciona o processo de síntese)?
Fiquem para ver: «Mamã, como é que se fazem as representações colectivas?»
«Mamã, como é que se fazem as representações colectivas?» (I)
Parece simples...mas não é!
Além disso, existe a agravante de algumas exprimirem ideias bastante divergentes: o número 1 («conjunto de indivíduos associados») traduz uma concepção totalista, o número 5 («indivíduos») define uma concepção nominalista e o número 8 («sentimentos privados») sugere uma concepção idealista do substrato da vida social.
Não é de esperar que esta confusão (termino)lógica influa no processo de síntese e na resultante final?
Fiquem para ver: «Mamã, como é que se fazem as representações colectivas?»
Primeiro Problema - Durkheim emprega várias expressões para designar o substrato da vida social:
- «l'ensemble des individus associés»;
- «des relations qui s'établissent entre les individus ainsi combinés ou entre les groupes secondaires qui s'intercalent entre l'individu et la société totale»;
- «les actions et les réactions échangées entre les consciences élémentaires dont est faite la société»;
- «le substrat social»;
- «individus»;
- «consciences individuelles» (a designação que optei por utilizar na introdução);
- «le concours des consciences individuelles»;
- «les sentiments privés»;
- «la nature personnelle des individus»;
- «les propriétés les plus générales de la nature humaine».
Além disso, existe a agravante de algumas exprimirem ideias bastante divergentes: o número 1 («conjunto de indivíduos associados») traduz uma concepção totalista, o número 5 («indivíduos») define uma concepção nominalista e o número 8 («sentimentos privados») sugere uma concepção idealista do substrato da vida social.
Não é de esperar que esta confusão (termino)lógica influa no processo de síntese e na resultante final?
Fiquem para ver: «Mamã, como é que se fazem as representações colectivas?»
«Mamã, como é que se fazem as representações colectivas?» (introdução)
Escaldado pelas críticas que lhe vinham sendo endossadas desde a publicação de Les Règles de la Méthode Sociologique (1894), Émile Durkheim decide escrever um texto para acabar de vez com a polémica em torno daquilo que ele considerava ser o objecto sui generis da sociologia.
Esse texto seria publicado em Maio de 1898 na Revue de Métaphysique et de Morale com o título «Représentations individuelles et représentations collectives».
Nele, Durkheim recorre aos princípios da teoria da «cadeia dos seres»...
Fiquem para ver: «Mamã, como é que se fazem as representações colectivas?»
Esse texto seria publicado em Maio de 1898 na Revue de Métaphysique et de Morale com o título «Représentations individuelles et représentations collectives».
Nele, Durkheim recorre aos princípios da teoria da «cadeia dos seres»...
- a realidade estrutura-se em quatro níveis (por ordem crescente de complexidade: mineral, biológico, psíquico e social);
- cada nível de realidade resulta em parte (!?) de uma combinação de elementos do nível anterior (o seu substrato).
- A está para B assim como C está para D;
- A vida social está para o seu substrato psicológico (as consciências individuais) assim como a vida psíquica está para o seu substrato biológico (as células do cérebro);
- De acordo com a teoria da «cadeia dos seres», ambas as relações só podem ser relações de independência relativa;
- Logo, o objecto da sociologia (representações colectivas) é distinto do objecto da psicologia (representações individuais).
Fiquem para ver: «Mamã, como é que se fazem as representações colectivas?»
sábado, 21 de março de 2009
coisas que mudam algumas vidas (quando olharem para as estrelas lembrem-se de Durkheim, o «socionauta»)
[As Formas Elementares da Vida Religiosa, 1912]«Uma vez que o mundo que exprime o sistema total dos conceitos é aquele que a sociedade imagina, só esta nos pode fornecer as noções mais gerais segundo as quais esse mundo pode ser representado. Só um sujeito que inclui todos os sujeitos particulares é capaz de compreender um tal objecto. Uma vez que o universo não existe a não ser na medida em que é pensado e dado que não o é totalmente a não ser pela sociedade, toma lugar nesta última, torna-se um elemento da sua vida interior, e assim a sociedade é, ela própria, o género total fora do qual nada existe. O conceito de totalidade não é mais que a forma abstracta do de sociedade, e esta é o todo que compreende todas as coisas, a classe suprema que contém as outras classes»
sexta-feira, 20 de março de 2009
O Potencial da Transcendência
E se a lucidez fosse a sua ausência? E se a normalidade fosse a anormalidade? Que tipo de análises produziria o actor que cai do palco e observa a peça social na perspectiva de quem quer, simplesmente, deixar de representar? Como seria se todos os actores pervertessem sempre a representação do papel? Como seria se essa perversão fosse natural, sempre, lúcida e, simultaneamente, espontânea nos fluxos e refluxos do seu exercício? Como seria a Sociologia se tivesse que olhar o mundo na perspectiva da desordem que se ordena e se desordena?
quinta-feira, 19 de março de 2009
quarta-feira, 18 de março de 2009
questão retórica que teria feito sorrir a alma gentil que andava à procura do «lema de Durkheim» (peço desculpa pela desilusão)
«se, portanto, o totem é ao mesmo tempo o símbolo do deus e o da sociedade, não será porque o deus e a sociedade são um só ser?»
[As Formas Elementares da Vida Religiosa, 1912]
[As Formas Elementares da Vida Religiosa, 1912]
a autonomia de aprendizagem na era das «folhas de presença», «capas anti-plágio» e outros instrumentos «simbólicos» de «consciencialização pessoal»
deambular sem destino pelos corredores do instituto e acabar a ouvir uma aula sobre a «teoria da dádiva» de Marcel Mauss
ouvido (por acaso) num workshop de «gestão de crises existenciais» dirigido a mestrandos em apuros (o moço até tinha bom aspecto)
«não consigo lidar com as expectativas do meu gato em relação à minha tese»
terça-feira, 17 de março de 2009
segunda-feira, 16 de março de 2009
«Acreditar na ciência» (2)
Émile Durkheim, 1912:
Ulrich Beck, 1986:
Boaventura de Sousa Santos, 2007:
On objectera que la science est souvent l'antagoniste de l'opinion dont elle combat et rectifie les erreurs, mais elle ne peut réussir dans cette tâche que si elle a une suffisante autorité et elle ne peut tenir cette autorité que de l'opinion elle-même. Qu'un peuple n'ait pas foi dans la science, et toutes les démonstrations scientifiques seront sans influence sur les esprits. [Les Formes Élémentaires de la Vie Religieuse]
Ulrich Beck, 1986:
Under conditions of reflexive scientization, the production (or mobilization) of belief becomes a central source for the social enforcement of validity claims. Where science used to be convincing qua science, in view of the contradictory babble of scientific tongues, the faith in science or the faith in alternative science (or this method, this approach, this orientation) becomes decisive. [Risk Society: towards a new modernity]
Boaventura de Sousa Santos, 2007:
O que é característico do nosso tempo é o facto de a ciência moderna pertencer simultaneamente ao campo das ideias e ao campo das crenças. A crença na ciência excede em muito o que as ideias científicas nos permitem realizar. Assim, a relativa perda de confiança epistemológica na ciência, que percorreu toda a segunda metade do século XX, ocorreu de par com a crescente crença popular na ciência. [Para além do Pensamento Abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes]
domingo, 15 de março de 2009
«Há coisas mais importantes para discutir...»
«Há coisas mais importantes para discutir...»
Não raras vezes, quando levantamos algumas questões, tais como: as fp (folhas de presença: suas mentes malandrecas!!!); as capas anti-plágio; os conteúdos dos currículos iscteanos. A resposta, à nossa proposta de reflexão, é, «há coisas mais importantes para discutir...». A reunião simbólica foi disso, o último exemplo.
Mais uma vez, o ecletismo iscteano vem à tona, ou seja, as possibilidades de discussão são sempre muitas, desde que não coloquem em causa as posições, perspectivas e "pedagogias" dos gestores do saber performativo iscteano.
Então o que devemos discutir (minhas sugestões, segundo a perspectiva iscteana):
1. O futebol à moda da taberna!? (já o fazemos)
2. O tempo!?
3. As cores das paredes do instituto!?
4. Os manequins que passam pelo multi!? (obviamente, já fazemos)
5. A política nacional!? (também o fazemos, há a tem quem diga: são uns radicais...)
Ecletismo sim, mas desde que sejam os gestores do saber performativo a impô-lo (perdão, a orientá-lo).
Queriam que discutisse-mos o regime de gestão das universidades, mas prefiro discutir as causas antes das consequências!!!
PS: não pedimos desculpa por discutir os temas que nos afectam, enquanto alunos (perdão, utentes) do iscte e que melhor conhecemos.
Não raras vezes, quando levantamos algumas questões, tais como: as fp (folhas de presença: suas mentes malandrecas!!!); as capas anti-plágio; os conteúdos dos currículos iscteanos. A resposta, à nossa proposta de reflexão, é, «há coisas mais importantes para discutir...». A reunião simbólica foi disso, o último exemplo.
Mais uma vez, o ecletismo iscteano vem à tona, ou seja, as possibilidades de discussão são sempre muitas, desde que não coloquem em causa as posições, perspectivas e "pedagogias" dos gestores do saber performativo iscteano.
Então o que devemos discutir (minhas sugestões, segundo a perspectiva iscteana):
1. O futebol à moda da taberna!? (já o fazemos)
2. O tempo!?
3. As cores das paredes do instituto!?
4. Os manequins que passam pelo multi!? (obviamente, já fazemos)
5. A política nacional!? (também o fazemos, há a tem quem diga: são uns radicais...)
Ecletismo sim, mas desde que sejam os gestores do saber performativo a impô-lo (perdão, a orientá-lo).
Queriam que discutisse-mos o regime de gestão das universidades, mas prefiro discutir as causas antes das consequências!!!
PS: não pedimos desculpa por discutir os temas que nos afectam, enquanto alunos (perdão, utentes) do iscte e que melhor conhecemos.
quinta-feira, 12 de março de 2009
E que tal ajudarmos a «sociologia portuguesa» a livrar-se dos seus «parasitas»?
Não é todos os dias que recebemos miminhos destes:«É por causa de pessoas como você que a sociologia portuguesa não está tão bem como seria de esperar que estivesse».
Agradecendo a importância que me foi concedida (cheguei a suspeitar que «eles» jamais nos levariam a sério...), continuo, ainda assim, sem entender o essencial: como é que inquietações de principiante de «pessoas como eu» podem causar dano à «sociologia portuguesa».
Não sendo a primeira vez que me fizeram sentir personna non grata (a novidade, nesta ocasião, residiu na frontalidade do interlocutor), começo a desconfiar que devem ter alguma razão naquilo que dizem e pensam a respeito de «pessoas como eu».
Poderia colocar o meu lugar à disposição se, de facto, tivesse um «lugar» passível de ser «colocado à disposição» (o meu prezado interlocutor teve a gentileza de mo lembrar...).
Poderia deixar de me identificar enquanto «sociólogo» e ir fazer, por exemplo, um curso de jardinagem (mas esqueço-me que os licenciados em sociologia não têm outra escolha senão fazer sociologia para o resto das suas vidas...).
Car@s principiantes, sinto-me num impasse.
Quero ajudar a «sociologia portuguesa» a livrar-se dos seus «parasitas», mas não sei qual é a melhor forma de o fazer.
Alguém tem uma ideia?
Agradecendo a importância que me foi concedida (cheguei a suspeitar que «eles» jamais nos levariam a sério...), continuo, ainda assim, sem entender o essencial: como é que inquietações de principiante de «pessoas como eu» podem causar dano à «sociologia portuguesa».
Não sendo a primeira vez que me fizeram sentir personna non grata (a novidade, nesta ocasião, residiu na frontalidade do interlocutor), começo a desconfiar que devem ter alguma razão naquilo que dizem e pensam a respeito de «pessoas como eu».
Poderia colocar o meu lugar à disposição se, de facto, tivesse um «lugar» passível de ser «colocado à disposição» (o meu prezado interlocutor teve a gentileza de mo lembrar...).
Poderia deixar de me identificar enquanto «sociólogo» e ir fazer, por exemplo, um curso de jardinagem (mas esqueço-me que os licenciados em sociologia não têm outra escolha senão fazer sociologia para o resto das suas vidas...).
Car@s principiantes, sinto-me num impasse.
Quero ajudar a «sociologia portuguesa» a livrar-se dos seus «parasitas», mas não sei qual é a melhor forma de o fazer.
Alguém tem uma ideia?
segunda-feira, 9 de março de 2009
Post metáfora
"Falou mais o senhor a Moisés, dizendo: Fala a Arão dizendo: Ninguém da tua descendência, nas suas gerções, em que houver algum defeito, se chegará a oferecer o pão do seu Deus. Pois nenhum homem em quem houver alguma deformidade se chegará; como homem cego, ou coxo, ou de nariz chato, ou de membros demasiadamente compridos, ou homem que tiver quebrado o pé, ou a mão quebrada, ou corcunda, ou anão, ou que tiver defeito no olho, ou sarna, ou impingem, ou que tiver testículo mutilado. Nenhum homem da descendêmcia de Arão, o sacerdote, em quem houver alguma deformidade, se chegará para oferecer as ofertas queimadas do senhor; defeito nele há; não se chegará para oferecer o pão do seu Deus. Ele comerá do pão do seu Deus, tanto tanto do santíssimo como do santo. Porém até ao véu não entrará, nem se chegará ao altar, porquanto defeito há nele, para que não profane os meus santuários; porque eu sou o senhor que os santifico. E Moisés falou isto a Arão e a seus filhos, e a todos os filhos de Israel." (Levítico 5º 21: 16-24)
Citação de A Bíblia Sagrada (1997), em Bruno Sena Martins (2006), «E SE EU FOSSE CEGO?» Narrativas silenciadas da deficiência, Porto, Edições Afrontamento, pp. 40
PS: mudam-se os templos, mas não se mudam as vontades!!!
Citação de A Bíblia Sagrada (1997), em Bruno Sena Martins (2006), «E SE EU FOSSE CEGO?» Narrativas silenciadas da deficiência, Porto, Edições Afrontamento, pp. 40
PS: mudam-se os templos, mas não se mudam as vontades!!!
domingo, 8 de março de 2009
Uma reunião simbólica II
Em relação à denominada reunião simbólica, não posso deixar de visar a demagogia do presidente da comissão científica de sociologia do iscte. É certo que as expectativas apriorísticas àquela reunião, estavam longe de tranquilizar os autores deste blogue. Contudo, o senhor presidente conseguiu superar a negatividade daquelas expectativas. Uma proeza notável!
A sua demagogia na "discussão dos problemas", na "procura do melhor para a instituição, alunos, e docentes" é, inexplecavelmente, inquietante:
A subalternização, face aos argumentos oposicionistas, é uma arma dos fracos...dos demagogos...é um sintoma do monopolitismo de quem não admite a divergência de opiniões.
Senhor presidente. Recorrendo à sua linguagem «simbólica»: é triste dizê-lo, mas o seu discurso "deu-nos toda a razão". A inquietação não se cala...pelo contrário...ganha vida com esta demonstração de inoperância, na discussão de soluções para as más práticas académicas.
Uma reunião simbólica...
Na sequência do envio da carta de protesto, acerca da capa anti-plágio, para o presidente da Comissão Cientifica do Departamento de Sociologia do iscte, os 4 (malandrecos) autores da dita, e deste espaço, foram convidados a reunir com o prof. JMV (o presidente da referida comissão). O encontro decorreu na passada sexta-feira.
No que diz respeito às incidências, particulares, do encontro, deixo para posteriores ocasiões e, obviamente, para outros protagonistas.
Neste post, pretendo, apenas, segundo a minha leitura, dar conta da ausência de reflexão crítica em torno da implementação das capas anti-plágio, enquanto medida de combate às más-práticas académicas. Continuamos sem perceber o que são más-práticas académicas (mas estamos descansados! porque estão a ser combatidas!!!)
Às tantas, o plágio é a única má-prática académica!!! logo, os alunos são, exclusivamente, os executantes responsáveis por essas más-práticas académicas!?
Bem sei, que JMV reconheceu a existência de outras más-práticas académicas, mas as medidas de combate, apenas, abrangem os alunos, ou seja, não é difícil de concluir, os alunos são os maiores responsáveis pelas más-práticas académicas ou, simplesmente, é mais fácil impor-lhes «medidas preventivas»...
JMV não compreendeu a nossa inquietação, argumentando que esta medida não tem efeitos práticos mas, apenas, efeitos simbólicos... São, exactamente, os efeitos simbólicos que nos preocupam, ou seja, não concordamos com a generalização da suspeita de plagiadores potenciais que impende sobre os alunos.
PS1: è possível um sociólogo não dar importância ao simbólico!?
PS2: a resposta ao PS1; estamos no iscte, qual é a admiração!?
No que diz respeito às incidências, particulares, do encontro, deixo para posteriores ocasiões e, obviamente, para outros protagonistas.
Neste post, pretendo, apenas, segundo a minha leitura, dar conta da ausência de reflexão crítica em torno da implementação das capas anti-plágio, enquanto medida de combate às más-práticas académicas. Continuamos sem perceber o que são más-práticas académicas (mas estamos descansados! porque estão a ser combatidas!!!)
Às tantas, o plágio é a única má-prática académica!!! logo, os alunos são, exclusivamente, os executantes responsáveis por essas más-práticas académicas!?
Bem sei, que JMV reconheceu a existência de outras más-práticas académicas, mas as medidas de combate, apenas, abrangem os alunos, ou seja, não é difícil de concluir, os alunos são os maiores responsáveis pelas más-práticas académicas ou, simplesmente, é mais fácil impor-lhes «medidas preventivas»...
JMV não compreendeu a nossa inquietação, argumentando que esta medida não tem efeitos práticos mas, apenas, efeitos simbólicos... São, exactamente, os efeitos simbólicos que nos preocupam, ou seja, não concordamos com a generalização da suspeita de plagiadores potenciais que impende sobre os alunos.
PS1: è possível um sociólogo não dar importância ao simbólico!?
PS2: a resposta ao PS1; estamos no iscte, qual é a admiração!?
quinta-feira, 5 de março de 2009
Tarde vs Durkheim: «acreditar na ciência»
Revue Philosophique, XXXIX, 1895
Gabriel Tarde - «Criminalité et santé sociale» (pp. 148-162)
Émile Durkheim - «Crime et santé sociale» (pp. 518-523)
Em resposta a um texto de Tarde que, por sua vez, tecia duras críticas a Les Règles de la Méthode Sociologique, Durkheim anuncia aquela que é, no seu entender, a verdadeira razão do diferendo entre os dois: «Il vient avant tout de ce que je crois à la science et de ce que M. Tarde n'y croit pas» [eu acredito na ciência e o Sr. Tarde não]. Perguntam vocês: o que motivou uma afirmação tão contundente da parte de Durkheim?
Tudo indica que o pecado capital de Tarde terá sido o seguinte aos olhos do seu oponente: não aceitar conceder à ciência o privilégio de comandar a vida humana!
Para Tarde, o poder da ciência exerce-se apenas no intelecto dos Homens e nunca no seu coração.
Não vale a pena pedir-lhe aquilo que ela não pode dar sob pena de se comprometer a si mesma.
Para Durkheim, uma ciência só é digna desse nome se contribuir para a «regulação positiva da conduta».
Ela deve pôr fim ao «reino da anarquia» na «ordem prática», pondo fim ao «reino da fantasia» na «ordem intelectual».
À ciência o que é da ciência; ao coração aquilo que é do coração - este bem podia ser o lema de Tarde.
À ciência não só o que é da ciência, mas também aquilo que é do coração dos Homens - este bem podia ser o lema de Durkheim.
Será correcto dizer que Tarde não acredita na ciência só porque não acredita na vocação utilitária que Durkheim lhe atribui?
Afinal de contas, o que é isso de «acreditar na ciência»?
Gabriel Tarde - «Criminalité et santé sociale» (pp. 148-162)
Émile Durkheim - «Crime et santé sociale» (pp. 518-523)
Em resposta a um texto de Tarde que, por sua vez, tecia duras críticas a Les Règles de la Méthode Sociologique, Durkheim anuncia aquela que é, no seu entender, a verdadeira razão do diferendo entre os dois: «Il vient avant tout de ce que je crois à la science et de ce que M. Tarde n'y croit pas» [eu acredito na ciência e o Sr. Tarde não]. Perguntam vocês: o que motivou uma afirmação tão contundente da parte de Durkheim?
Tudo indica que o pecado capital de Tarde terá sido o seguinte aos olhos do seu oponente: não aceitar conceder à ciência o privilégio de comandar a vida humana!
Para Tarde, o poder da ciência exerce-se apenas no intelecto dos Homens e nunca no seu coração.
Não vale a pena pedir-lhe aquilo que ela não pode dar sob pena de se comprometer a si mesma.
Para Durkheim, uma ciência só é digna desse nome se contribuir para a «regulação positiva da conduta».
Ela deve pôr fim ao «reino da anarquia» na «ordem prática», pondo fim ao «reino da fantasia» na «ordem intelectual».
À ciência o que é da ciência; ao coração aquilo que é do coração - este bem podia ser o lema de Tarde.
À ciência não só o que é da ciência, mas também aquilo que é do coração dos Homens - este bem podia ser o lema de Durkheim.
Será correcto dizer que Tarde não acredita na ciência só porque não acredita na vocação utilitária que Durkheim lhe atribui?
Afinal de contas, o que é isso de «acreditar na ciência»?
a pedagogia do adiamento, segundo RPP (conclusão)
Quando é que um@ principiante está preparad@ para ler um «clássico» da sociologia?
Adiar, adiar, adiar.
Com todo o respeito pel@s noss@s coleg@s do programa de doutoramento, alguém acredita que aí se desenvolva um trabalho colectivo de leitura e interpretação crítica dos «clássicos»?
Alguém acredita que as posturas de infantilização («não iam entender nada») e/ou de complacência («ninguém o proíbe de ler») dêem subitamente lugar a seminários amplamente participados onde se examinam os pressupostos meta-teóricos da sociologia?
Não é preciso ser vidente para perceber que esta pedagogia do adiamento não é mais do que uma pedagogia do desprezo e da ignorância (e estou a medir muito bem as palavras!).
Afinal de contas, quem despreza o estudo dos «clássicos» só pode ensinar ignorância.
Uma ignorância «que se ignora a si mesma», orgulhosamente.
Pois bem.
Eles que fiquem com o orgulho da ignorância.
Nós ficamos com o gosto pela sociologia!
Adiar, adiar, adiar.
Com todo o respeito pel@s noss@s coleg@s do programa de doutoramento, alguém acredita que aí se desenvolva um trabalho colectivo de leitura e interpretação crítica dos «clássicos»?
Alguém acredita que as posturas de infantilização («não iam entender nada») e/ou de complacência («ninguém o proíbe de ler») dêem subitamente lugar a seminários amplamente participados onde se examinam os pressupostos meta-teóricos da sociologia?
Não é preciso ser vidente para perceber que esta pedagogia do adiamento não é mais do que uma pedagogia do desprezo e da ignorância (e estou a medir muito bem as palavras!).
Afinal de contas, quem despreza o estudo dos «clássicos» só pode ensinar ignorância.
Uma ignorância «que se ignora a si mesma», orgulhosamente.
Pois bem.
Eles que fiquem com o orgulho da ignorância.
Nós ficamos com o gosto pela sociologia!
Jogos de Campo I
Vivemos com cada vez mais evidência, a metamorfose das regras de jogo dos campos académicos…as dinâmicas de acesso e/ou fechamento dos campos de produção de saber já não se esclarecem, apenas, nas esquizofrenias que medeiam os fechamentos da ortodoxia (detentores do poder académico) ante os ímpetos da heresia (pretendentes do poder académico). A metamorfose tem passado, justamente, pela transformação acelerada dos campos, em espaços em que dominam orientações mercantis. Os campos do saber passam então, a ser espaços de luta cuja inscrição exige o pré-requisito da produção de conhecimentos integrados nas lógicas de mercado.
Assim, o direito aos jogos de oposição vai sendo, cada vez mais, exclusivo dos produtores dos saberes viáveis para o consumo alargado, sendo que a vitória nos jogos ficará, obviamente, reservada aos produtores dos saberes com maior potencial comercial. Este é o caminho que transformará a produção e o ensino da ciência – aquela ciência mainstream - numa prostituta de luxo, subordinada aos caprichos de um proxeneta – o mercado - que, tal como seus pares, só entende a linguagem do dinheiro.
Trata-se da perversão dos valores que apaixonam os que se inquietam com os enigmas do mundo, pois, como nos mostra a Psicóloga Alexandra Oliveira, as prostitutas são essencialmente vendedoras de ilusões, que mesmo ao permitirem o toque mais íntimo, mantêm seus clientes na superfície do envolvimento.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Criminologia positivista
"Podemos dizer que um criminólogo é positivista quando adere às seguintes proposições:
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1.º O empirismo. A especulação não tem qualquer valor quando se trata de fazer ciência. Apenas contam os factos estabelecidos a partir da observação e da experimentação. O pensamento dedutivo e abstracto dos clássicos, como Beccaria e Bentham, é recusado como vã especulação pertencente a um estádio ultrapassado do pensamento: a idade da metafísica.
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2º O objecto que os positivistas atribuem à criminologia não é nem o crime nem a pena, mas o criminoso, ser distinto do não-criminoso. O crime não passa de uma abstracção, de uma noção jurídica sem interesse. A realidade concreta, a única que dá fundamento ao exame científico, é o criminoso. O seu crime é apenas um sintoma; o fenómeno essencial é a sua tendência para o crime. A explicação do comportamento criminal deve ser procurada nas predisposições para o crime, presentes em seres que se distinguem dos outros seres humanos. A criminologia deve dedicar-se a descobrir as diferenças físicas, psicológicas e sociais entre criminosos e não-criminosos.
(...)
3º Os comportamentos criminais estão sujeitos a leis deterministas que não deixam espaço ao livre arbítrio. O crime não resulta nem da escolha nem do cálculo. O positivismo é um determinismo."
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Cusson, Maurice, 2006, Criminologia, pp. 59-60.
segunda-feira, 2 de março de 2009
Para que serve a «sociedade»? (3)
Para que a actividade humana esteja sob o «jugo» de uma «consciência superior»:
Émile Durkheim in Le Suicide (1897)
Ainsi, il n'est pas vrai que l'activité humaine puisse être affranchie de tout frein. Il n'est rien au monde qui puisse jouir d'un tel privilège. Car tout être, étant partie de l'univers, est relatif au reste de l'univers; sa nature et la manière dont il la manifeste ne dépendent donc pas seulement de lui-même, mais des autres êtres qui, par suite, le contiennent et le règlent. A cet égard, il n'y a que des différences de degrés et de formes entre le minéral et le sujet pensant. Ce que l'homme a de caractéristique, c'est que le frein auquel il est soumis n'est pas physique, mais moral, c'est-à-dire social. Il reçoit sa loi non d'un milieu matériel qui s'impose brutalement à lui, mais d'une conscience supérieure à la sienne et dont il sent la supériorité. Parce que la majeure et la meilleure partie de sa vie dépasse le corps, il échappe au joug du corps, mais il subit celui de la société. (pág. 103 - livro segundo)
Émile Durkheim in Le Suicide (1897)
Para que serve a «sociedade»? (2)
Para que a moral tenha um «objecto»:
Émile Durkheim in «Détermination du fait moral» (1906)
On remarquera l'analogie qu'il y a entre ce raisonnement et celui par lequel Kant démontre Dieu. Kant postule Dieu, parce que, sans cette hypothèse, la morale est inintelligible. Nous postulons une société spécifiquement distincte des individus, parce que, autrement, la morale est sans objet, le devoir sans point d'attache. (pág. 15)
Émile Durkheim in «Détermination du fait moral» (1906)
Para que serve a «sociedade»?
Para que uma «verdadeira sociologia» possa existir:
Émile Durkheim in «La sociologie et son domaine scientifique» (1900)
Commençons par établir une proposition qui devrait être considérée comme un axiome: pour qu'une véritable sociologie puisse exister, il est nécessaire que se produisent dans chaque société des phénomènes dont cette société soit la cause spécifique et qui n'existeraient pas si elle n'existait pas, et qui ne sont ce qu'ils sont que parce qu'elle est constituée comme elle l'est. Une science ne peut être fondée que si elle a pour matière des faits sui generis distincts de ceux qui constituent l'objet d'étude des autres sciences. (pág. 11)
Émile Durkheim in «La sociologie et son domaine scientifique» (1900)
O criminoso
"O delinquente, afirma Lombroso, não é apenas alguém que infringiu as normas; na realidade, ele pertence a uma subespécie primitiva do Homo sapiens. Existe um «tipo criminal» (Ferri chamar-lhe-á criminoso-nato) que se distingue do homem normal por uma longa série de estigmas físicos e de traços psicológicos.
O criminoso-nato teria um cérebro relativamente pequeno, maxilares enormes e lábios carnudos, um queixo recuado, arcadas supraciliares salientes, braços muito longos, órbitas excessivamente grandes e cabelo abundante.
A fisionomia dos criminosos varia também de acordo com os crimes cometidos. O homicida teria olhos frios, maxilares muito longos, nariz adunco e caninos muito desenvolvidos. O ladrão teria olhos pequenos, móveis e inquietos, sobrancelhas espessas, nariz achatado e fronte fugidia.
O retrato psicológico é menos fantasista. O criminoso sofre de uma insensibilidade que atrofia os seus sentimentos de piedade e de compaixão; é marcado pela ausência de remorso, pela impulsividade, imprevidência, egoísmo, crueldade, vaidade, intemperança, indolência, sensualidade e superstição. É dado também à tatuagem e ao calão"
(Cusson, Maurice, 2006, "A teoria de Lombroso", Criminologia, pp. 60-62).
Ainda pensei em fazer um retrato robô do criminoso-nato, mas tive medo de me rever no mesmo.
"Isso dava um bom tema de pesquisa..."
Isso dava um bom tema de pesquisa...
Quem é que nunca ouviu esta expressão nas preformativas salas (perdão, aulas: as paredes não têm culpa) do iscte!? (mas já a decoraram!)
Bem me parecia, já todos ouvimos este hino ao ecletismo iscteano.
Os episódios sucedem-se, demonstrando que esta expressão não passa de um slogan propagandístico que não é suposto levar à prática. Todos nós conhecemos casos em que os docentes, mais ou menos, explicitamente obrigaram (perdão, aconselharam e/ou induziram) os alunos a realizar trabalhos com os quais, eles (os docentes), se identificassem. As razões eram as mais variadas:
1. Não existe bibliografia, nem trabalhos nessa área...
2. É uma área muito explorada... (parece contraditório, mas não faz mal!)
3. Existem áreas mais interessantes... (normalmente, as áreas em que os próprios investigam, porque será!?)
4. Não está na lista de temas que vos foi entregue...
Ecletismo, depois disto, onde anda ele? ele existe no iscte, para além da retórica propagandista?
A minha hipótese de trabalho é que o ecletismo existe no iscte:
não faças um trabalho tão teórico;
não investigues esse tema;
não uses metodologias qualitativas;
Pelo menos, o não é ecléctico!!!
Quem é que nunca ouviu esta expressão nas preformativas salas (perdão, aulas: as paredes não têm culpa) do iscte!? (mas já a decoraram!)
Bem me parecia, já todos ouvimos este hino ao ecletismo iscteano.
Os episódios sucedem-se, demonstrando que esta expressão não passa de um slogan propagandístico que não é suposto levar à prática. Todos nós conhecemos casos em que os docentes, mais ou menos, explicitamente obrigaram (perdão, aconselharam e/ou induziram) os alunos a realizar trabalhos com os quais, eles (os docentes), se identificassem. As razões eram as mais variadas:
1. Não existe bibliografia, nem trabalhos nessa área...
2. É uma área muito explorada... (parece contraditório, mas não faz mal!)
3. Existem áreas mais interessantes... (normalmente, as áreas em que os próprios investigam, porque será!?)
4. Não está na lista de temas que vos foi entregue...
Ecletismo, depois disto, onde anda ele? ele existe no iscte, para além da retórica propagandista?
A minha hipótese de trabalho é que o ecletismo existe no iscte:
não faças um trabalho tão teórico;
não investigues esse tema;
não uses metodologias qualitativas;
Pelo menos, o não é ecléctico!!!
o social «explica» o social...mas o que é o «social»!?
Reparem como o antropólogo brasileiro Eduardo Viana Vargas, num comentário crítico à sociologia durkheimiana, coloca o dedo na ferida de todas as sociologias (independentemente do modo como estas se posicionam relativamente a Durkheim):
Eduardo Viana Vargas (2000), Antes Tarde do que nunca: Gabriel Tarde e a emergência das ciências sociais, Rio de Janeiro, Contra Capa, pp. 156.
O princípio do projecionismo [i.e. os factos sociais são a expressão de uma realidade social sui generis], que em Durkheim segue junto ao princípio do causalismo morfológico [i.e. as representações colectivas reproduzem as formas de organização social], mas que de fato prescinde dele, não é prerrogativa do durkheimianismo, embora tenha contribuído decisivamente para sua difusão.
De maneira correlata, se Durkheim contribuiu para a difusão do princípio do projecionismo, este também ajudou a popularizar a sociologia durkheimiana, seja porque, como o princípio que lhe serve de contraface, aquele da redução dos absurdos [i.e. remissão de coisas aparentemente estranhas - o «crime», o «suicídio», as «formas primitivas de classificação» - a coisas aparentemente menos estranhas - a «sociedade», a «vida social», a «consciência colectiva»], é engenhoso o suficiente para atrair a atenção dos cientistas, seja porque, ao fornecer a resposta antes do problema, ao estabelecer de antemão a sociedade como o elemento efetivamente explicativo, não passando tudo mais de uma expressão dessa verdade que é a sociedade, torna as coisas mais fáceis, já que evita o problema crucial de saber precisamente em que consiste a sociedade.
No projecionismo, a noção de sociedade (ou de cultura) é naturalizada: a análise segue até ela e pára, como se tivesse encontrado a explicação. O problema, contudo, apenas começou, pois se cada fato social é a projeção da sociedade, a questão que inevitavelmente surge é a de saber o que, afinal, é a própria sociedade...
Dito de outro modo, se a sociedade determina tudo, sendo tudo mais sua expressão, o que é a sociedade sem isso tudo?
Eduardo Viana Vargas (2000), Antes Tarde do que nunca: Gabriel Tarde e a emergência das ciências sociais, Rio de Janeiro, Contra Capa, pp. 156.
domingo, 1 de março de 2009
A multiconceptualidade das folhas de presença
Qual é finalidade das folhas de presença (comummente, distribuídas pelas salas da escola-empresa)? Ora aí está uma pergunta, cuja(s) resposta(s) permanece(m) mitificada(s):
1) alguns professores afirmam que as f.p. (folhas de presença) constituem instrumentos de controlo, face à assiduidade dos docentes. Esta é a versão oficial das f.p.;
2) para outros professores, as f.p. têm uma finalidade, meramente, estatística;
3) para outros, ainda, as f.p. não representam qualquer relevância e, como tal, nem sequer as distribuem no decorrer das respectivas aulas;
4) também há quem tenha mudado de opinião: outrora, não distribuíam f.p., mas decidiram inverter a sua posição;
5) há, ainda, uma versão produzida no seio dos alunos: as f.p. constituem mecanismos de controlo, em relação à assiduidade dos alunos...esta versão é, completamente, estupidificada pela grande maioria dos docentes.
Como disse , a versão oficial das f.p. é a 1) - controlo dos professores.
Acredito que sim...pelos menos, na óptica de alguns docentes.
Porém, não me esqueço de ter sido impedido de realizar, em Métodos e Técnicas de Investigação (1º ano do mestrado em sociologia), um trabalho sobre observação participante, pelo simples facto de não ter assinado as folhas de presença: @ docente (antropólog@), responsável pelo leccionamento da técnica observação participante, transcreveu os nomes das pessoas que assinaram as f.p. (por el@ distribuídas) e, ao verificar a ausência do meu nome, recusou-se a avaliar-me...isto depois de, em plena aula, os indisciplinados do costume terem justificado a sua posição, face às f.p.
Não me esqueço, também, da afirmação de um outro docente do iscte (este, sociólogo), utilizada no decorrer de uma aula com escassa afluência, por parte dos alunos: «quem assinar esta folha, será...generosamente...recompensado».
E os rebeldes somos nós?!
1) alguns professores afirmam que as f.p. (folhas de presença) constituem instrumentos de controlo, face à assiduidade dos docentes. Esta é a versão oficial das f.p.;
2) para outros professores, as f.p. têm uma finalidade, meramente, estatística;
3) para outros, ainda, as f.p. não representam qualquer relevância e, como tal, nem sequer as distribuem no decorrer das respectivas aulas;
4) também há quem tenha mudado de opinião: outrora, não distribuíam f.p., mas decidiram inverter a sua posição;
5) há, ainda, uma versão produzida no seio dos alunos: as f.p. constituem mecanismos de controlo, em relação à assiduidade dos alunos...esta versão é, completamente, estupidificada pela grande maioria dos docentes.
Como disse , a versão oficial das f.p. é a 1) - controlo dos professores.
Acredito que sim...pelos menos, na óptica de alguns docentes.
Porém, não me esqueço de ter sido impedido de realizar, em Métodos e Técnicas de Investigação (1º ano do mestrado em sociologia), um trabalho sobre observação participante, pelo simples facto de não ter assinado as folhas de presença: @ docente (antropólog@), responsável pelo leccionamento da técnica observação participante, transcreveu os nomes das pessoas que assinaram as f.p. (por el@ distribuídas) e, ao verificar a ausência do meu nome, recusou-se a avaliar-me...isto depois de, em plena aula, os indisciplinados do costume terem justificado a sua posição, face às f.p.
Não me esqueço, também, da afirmação de um outro docente do iscte (este, sociólogo), utilizada no decorrer de uma aula com escassa afluência, por parte dos alunos: «quem assinar esta folha, será...generosamente...recompensado».
E os rebeldes somos nós?!
a pedagogia do adiamento, segundo RPP (2)
Quando é que um@ principiante está preparad@ para ler um «clássico»?
Um ano depois, pude finalmente conhecer, através de uma conversa de corredor que tive com o professor RPP, a sua pedagogia sui generis de ensino das teorias sociológicas que, entretanto, por via de um aproveitamento eficaz da nova janela de oportunidades (i.e. «Processo de Bolonha»), já se tinha convertido no princípio estruturante da oferta curricular do departamento de sociologia do instituto.
Segundo RPP, embora a leitura dos «clássicos» não fizesse parte dos objectivos pedagógicos da licenciatura em sociologia («não iam entender nada»), o mesmo já não aconteceria nos ciclos de estudos subsequentes: no mestrado, @s estudantes seriam convidad@s a fazer as primeiras leituras, desde que estas fossem cruzadas com a consulta dos manuais e intérpretes «canónicos»; no programa de doutoramento, a análise das «grandes obras» teria amplo destaque (o que, alegadamente, bastaria para obrigar os mais relutantes a ler, por exemplo, O Capital e/ou As Formas Elementares da Vida Religiosa e/ou Economia e Sociedade).
Insatisfeito com a resposta, insisti na minha inquietação: «porquê esperar tanto tempo!?»
RPP encolhe os ombros e devolve-me um sorriso de complacência: «ninguém o proíbe de ler...»
Bingo
Era mesmo isso que eu suspeitava que ele me ia dizer!
[continua]
Um ano depois, pude finalmente conhecer, através de uma conversa de corredor que tive com o professor RPP, a sua pedagogia sui generis de ensino das teorias sociológicas que, entretanto, por via de um aproveitamento eficaz da nova janela de oportunidades (i.e. «Processo de Bolonha»), já se tinha convertido no princípio estruturante da oferta curricular do departamento de sociologia do instituto.
Segundo RPP, embora a leitura dos «clássicos» não fizesse parte dos objectivos pedagógicos da licenciatura em sociologia («não iam entender nada»), o mesmo já não aconteceria nos ciclos de estudos subsequentes: no mestrado, @s estudantes seriam convidad@s a fazer as primeiras leituras, desde que estas fossem cruzadas com a consulta dos manuais e intérpretes «canónicos»; no programa de doutoramento, a análise das «grandes obras» teria amplo destaque (o que, alegadamente, bastaria para obrigar os mais relutantes a ler, por exemplo, O Capital e/ou As Formas Elementares da Vida Religiosa e/ou Economia e Sociedade).
Insatisfeito com a resposta, insisti na minha inquietação: «porquê esperar tanto tempo!?»
RPP encolhe os ombros e devolve-me um sorriso de complacência: «ninguém o proíbe de ler...»
Bingo
Era mesmo isso que eu suspeitava que ele me ia dizer!
[continua]
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